Combate a homicídios entre jovens exige ações integradas, diz secretário

Uma das principais causas de mortes entre os jovens de 15 a 29 anos no Brasil, os homicídios cresceram 159,8% entre 2005 e 2015 na faixa etária, de acordo com o Atlas da Violência 2017, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em Sobral, segundo dados do Ipea, a taxa de homicídios é de 54,5 homicídios por 100 mil habitantes. Foram 110 assassinatos no ano de 2015 para uma população de pouco mais de 200 mil habitantes.

Para reduzir a violência e os homicídios entre os jovens, a Secretaria dos Direitos Humanos, Habitação e Assistência Social (SDHAS) tem desenvolvido ações de mapeamento das áreas mais violentas para identificação das causas e auxiliar na redução dos casos. As ações estão sendo realizadas em parceria com as várias secretarias, com enfoque especial para as ações de educação e combate às drogas. A expectativa é de que o mapeamento seja concluído ainda este ano para que as ações de combate à violência e aos homicídios comecem a ser implementadas já no próximo ano.

A SDHAS mapeou o perfil dos jovens que foram assassinados em Sobral no último ano em especial na faixa de 10 a 19 anos e os dados relacionam diretamente a violência e os homicídios à escolaridade e ao uso de drogas. Dentre os jovens assassinados, 32,43% experimentaram algum tipo de droga pela primeira vez dos 11 aos 15 anos. Além disso, 40,54% dos adolescentes estavam fora da escola há pelo menos seis meses. “Temos elementos para uma ação conjunta de prevenção e intervenção”, destacou o titular da SDHAS, Júlio César Alexandre. Ele ressaltou que o fenômeno da violência é complexo e capaz de se espalhar dentro do ambiente social onde está inserido o jovem.

O secretário ressaltou que as políticas de intervenção devem ser customizadas de acordo com cada realidade. “Precisamos customizar as ações e chegar às pessoas. Precisamos conhecer o contexto das pessoas e chegar à matriz familiar para construir políticas públicas.” Dentre os dados que estão sendo avaliados pela prefeitura, há o indicativo de que há uma vulnerabilidade de quem cuida dos jovens e uma possível desestrutura na matriz familiar. Os dados apontam que 86,49% dos adolescentes assassinados tinham como um dos responsáveis a mãe, dos quais 67,57% conviviam com pai e mãe.

Territórios

O secretário explicou que as políticas de combate à violência estão sendo articuladas por meio de um comitê gestor que engloba todas as secretariais. Além disso, estão sendo pensadas ações nos territórios por meio de um comitê territorial que congrega organismos como CRAS, Creas, diretores de escolas e outras instituições da sociedade civil. O objetivo é identificar em cada território qual tipo de violência mais vitima os jovens.

O primeiro território onde está sendo aplicada a metodologia de estudo compreende os bairros Cidade Dr. José Euclides (Terrenos Novos), Vila União e Residencial Nova Caiçara. A metodologia executada visa congregar todos os serviços públicos presentes ali, em parceria com as lideranças locais para uma mudança da cultura da violência. Outra proposta é que comecem a ser aplicados os diálogos comunitários com as lideranças nos bairros. Aos poucos, o estudo chegará a outros bairros. O plano de ação contará com metas para a redução da violência a partir de cada território.

Suicídio

Outro tipo de violência que tem vitimado jovens em Sobral é o suicídio, que não tem uma causa específica. No entanto, acredita-se que a depressão e as drogas sejam fatores contribuintes para que alguns tomem essa atitude em virtude da carga emocional pela qual são submetidos. O tema foi discutido durante a palestra “Suicídio e mídia”, realizada na última terça-feira, 12, no auditório central da Faculdade de Medicina (UFC).

Durante a palestra, foi discutido o perfil do suicida. Os palestrantes ressaltaram que o suicida quase sempre se apresenta como alguém triste, às vezes isolado e pode ir atrás de ajuda, mesmo que indiretamente. No entanto, por causa do grande tabu que é esse assunto, muitos se escondem e não conseguem falar abertamente. Além disso, o modo como a mídia trata os casos e retrata a atitude de profissionais na ficção reprime, de certa forma, seus pedidos de socorro.

O Setembro Amarelo traz à discussão um assunto obscuro e ao mesmo tempo importante atualmente. Um dos palestrantes do evento, o psicólogo Hamilton Peixoto, viaja o ano inteiro ministrando palestras sobre Suicídio.

(Colaborou João Victor da Costa Carvalho).

Secretário defende ação conjunta de prevenção e intervenção para reduzir homicídios
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Jonas Deison

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