O significado psicológico do Natal por Caroline Treigher

Falar sobre o Natal nessa época do ano é lugar comum. Que seja. Por que não ocupá-lo? Não sou presunçosa o bastante para negligenciar um assunto porque todos falam dele ou pretender falar apenas do que ninguém fala. Porém, para fazer jus ao nome do blog, procurarei falar do Natal a partir de um referencial psicológico, de uma escola que se especializou na interpretação dos símbolos, chamada Psicologia Analítica.
Começo pela pergunta: O que é o Natal? Todos sabemos que é a data escolhida para comemorar-se o nascimento de Jesus Cristo. Historicamente, a figura do Filho de Deus é bastante conhecida, mas simbolicamente, formulamos uma segunda pergunta: Quem é Jesus Cristo?
O Cristo enquanto símbolo é o que Ele próprio definiu: “Caminho, Verdade e Vida.” Todo mundo, independentemente de ser cristão, procura o caminho, a verdade e a vida. E o Natal é justamente o momento em que entramos em contato com a primeira experiência que nos levará ao caminho à verdade e à vida. A experiência da introspecção!
A introspecção é simbolicamente representada pela gruta, onde os elementos mais simples estão dispostos para receber o Menino Jesus. Lá estão José, Maria, os pastores, os animais, os reis. São respectivamente o intelecto, o amor, a humildade, o instinto e o poder.
Mas, a terceira pergunta, que já deve ter surgido para você, é: O que é caminho, verdade e vida? Como sugeri acima, é o objetivo de nossa existência, aquilo para o que somos atraídos. Refiro-me à individuação! Individuação é a separação do todo e, ao mesmo tempo, a harmonização com ele. Quando nos apropriamos de nossas escolhas e não seguimos cegamente as determinações do inconsciente coletivo. Quando somos quem nós somos, sendo que Jesus disse, repetindo o Antigo Testamento: “Sois deuses!”
Por partes, podemos explicar que o Cristo é:
  1. Caminho – porque ser quem somos é um processo, um continuum que jamais termina.
  2. Verdade – porque só podemos ser quem somos se formos autênticos e nos apropriarmos da nossa verdade, do que está por trás dos nossos atos, palavras etc.
  3. Vida – porque só sendo nós mesmos é que nos sentimos vivos e cumprimos nosso papel na vida, pois cada pessoa tem uma pequena missão a realizar, é um membro de Deus a agir no mundo. Como disse o Nazareno, ao chegar nesse ponto: “Eu e o Pai somos um.”
Dentro do referencial simbólico, qualquer dia pode ser Natal, pode nascer esse Filho de Deus em nós. E com Ele, nascem o Amor e a Fraternidade, a Fé e a Realização. O fato dessa data ser comemorada no final do ano, tem a conveniência – também simbólica! – de nos remeter ao fim de uma etapa e começo de outra, ou de morte e renascimento. Mas para quem viveu momentos marcantes, talvez a contagem do tempo seja diferente e um ano novo tenha começado ainda em julho, ou vá começar apenas ano que vem.
Enfim, início ou final de ano são apenas convenções, mas mesmo assim, hoje, mês que vem ou qualquer dia é possível dizer: Feliz Natal para todos nós!
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