Problemas no porto do Pécem encarecem combustível no Ceará

A indefinição sobre a transferência do parque de tancagem do Porto do Mucuripe para o Pecém deixa os combustíveis mais caros no Ceará. Isso porque as empresas repassam para o consumidor os prejuízos da logística ineficiente, que conforme estudo da SP Combustíveis, onera em mais de R$ 0,10 cada litro.

Só de sobrestadia – valor que as distribuidoras precisam pagar para deixar o navio parado aguardando para descarregar – o prejuízo estimado é de R$ 4 milhões por mês. A projeção é de Rachel Philomeno, presidente da comissão de Direito Marítimo e Portuário da Ordem dos Advogados do Brasil Secção Ceará (OAB-CE).

Isso acontece porque a capacidade de armazenamento das distribuidoras instaladas no Mucuripe está em seu volume máximo, de 100 mil metros cúbicos, e, por enquanto, as empresas não estão autorizadas a fazer expansão. A OAB montou uma comissão mista para acompanhar o caso, desde o ano passado, em função do impacto no preço do combustível que chega ao consumidor.

“É crucial resolver este problema. As distribuidoras estão instaladas há décadas e precisam fazer investimentos, hoje sequer as licenças de operação estão sendo expedidas. O que se armazena de gasolina hoje só é suficiente para uma semana, o que faz com que muitas empresas tenham que encomendar combustível pelo modal rodoviário, o que também onera o sistema”, afirma Rachel.

Cinco distribuidoras operam no Mucuripe, por onde passa todo tipo de combustível líquido: Petrobras (BR), SP, Shell (Raízen), Ipiranga, e Ale. Destas, apenas três – BR, Raízen e SP são proprietárias de tancagem. As demais, incluindo a SP (para ter um volume maior), operam no regime de cessão de espaço, ou seja, alugam armazenagem. O parque já foi maior. Durante a década de 1990, a Texaco (vendida para Ipiranga em 2008), desativou sua base e desfez seus tanques.

Isso sem falar no desgaste natural dos equipamentos, em função da grande abrasividade do local, o que de acordo com o consultor na área de combustíveis e energia, Bruno Iughetti, já foi responsável pela redução de 30% da capacidade operacional do parque do Mucuripe. “Se nada for feito, há sim a possibilidade de, mais na frente, ocorrer um desabastecimento”.

Em contrapartida, o mercado consumidor quase triplicou neste período. De acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), em 2000, o volume comercializado aos postos no Ceará era de 471,6 mil m3. Em 2016, o consumo já era de mais de 1,3 milhão de m3. A estatística leva em conta o que é comprado pelos postos de dentro e de fora do Estado.

O estudo da SP Combustíveis aponta que, para atender o mercado do Ceará todo, considerando as condições atuais de fornecimento e regulamentação da ANP, seria necessário um acréscimo em torno de 50 mil m3. Atualmente, 30% do volume de combustível de Fortaleza são supridos via transporte rodoviário de polos vizinhos, principalmente Rio Grande do Norte e Pernambuco. “Esta ineficiência gera um ônus operacional para as distribuidoras muito alto”, lamenta o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado (Sindipostos-CE), Antônio Machado.

A gasolina vendida nos postos do Ceará a um preço médio de R$ 3,807, é a segunda mais cara do Nordeste, perdendo apenas para Alagoas (R$ 3,842), conforme pesquisa semanal da ANP. Em Pernambuco, onde se constata o menor valor, o preço médio ao consumidor é de R$ 3,391.

 

COm Informações de IRNA CAVALCANTE

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Jonas Deison

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