Sobral abre espaço para a produção literária regional

É com curiosidade que a estudante Ana Mirtes Sousa, 14, folheia um livro de Gênero Lírico, entre os muitos dispostos na prateleira à sua frente. Desde cedo, o estilo, que faz uso de recursos como rima, rítmica, métrica, estrofes e versos, além da combinação de palavras, chama a atenção da adolescente, que encontra na poesia, a leitura ideal para interpretar o mundo à sua volta e expressar seus desejos e sonhos.

A poesia moderna, aquela, desapegada destes recursos todos, e conectada ao verso livre, sem rima, com estrofes irregulares, é a que mais atrai a atenção da estudante. “Eu gosto da forma como o autor fala sobre qualquer tema, com poucas palavras, e sem muita rima”, pontua a leitora, enquanto escolhe o que levar para casa, em meio à infinidade de opções da I Feira do Livro de Sobral.

Outra apaixonada pelo mundo libertário da poesia é Célia Oliveira, que começou a escrever em 2013, logo que se aposentou do funcionalismo público. Nesses quatro anos, a advogada sobralense revelou seu olhar sobre a cidade Natal, por meio de crônicas poéticas, como o primeiro trabalho, intitulado “O Melhor Tempo”, em que fala da infância, seguido das obras puramente poéticas, “Na Quietude da Noite”, e Recôndito das Pérolas”, esse último lançado na Feira de Sobral.

“É uma satisfação inimaginável lançar meu recente trabalho aqui, na minha terra. Eu ia lançá-lo em outra cidade, mas aproveitei a oportunidade de realizar meu sonho. Esse espaço é o início de grandes eventos em relação à literatura da nossa região Norte”, afirma a escritora, radicada em Fortaleza.

Aos 83 anos, o cartunista Maurício de Sousa avalia sua obra como importante para a alfabetização de milhões de crianças, que hoje são pais e continuam fãs fervorosos ( Foto: Marcelino Júnior )

Objetivo

Com o propósito de dar espaço para autores locais e promover a comercialização de produtos e serviços de viés literário, o Município, por meio da Secretaria de Tecnologia e Desenvolvimento Econômico (STDE), pretende, com a Feira, fortalecer o quase inexistente mercado editorial, com incentivo à formação de novos leitores e empreendedores, tendo a Educação como norte.

“A STDE, que trabalha a Economia Criativa, busca consolidar todas as vertentes que abrangem a literatura, como a parte cultural, educacional e a parte de negócios. A Feira abre espaço para autores, produtores e demais personagens que se relacionem direta ou indiretamente com esse mercado”, avalia Yves Gurgel, organizador geral.

Montada no Centro de Convenções, com uma vasta programação, ao longo da semana que se encerra, o evento foi dividido em 30 estandes, com 25 deles voltados à comercialização direta de livros, de produtos literários, apresentação de editoras, livrarias locais e de outras regiões, dando ênfase ao conteúdo produzido em Sobral.

“Esperamos promover as muitas iniciativas da região Norte, que às vezes ficam de fora da Bienal de Fortaleza, por diversos motivos. A ideia, aqui, é fortalecer os projetos que já existem, e ampliar o incentivo à literatura, valorizando nossos autores e quem já vive desse mercado”, finaliza o organizador geral do evento, Yves Gurgel.

Grandes nomes

Além de dar espaço aos autores locais, a Feira do Livro de Sobral trouxe a Sobral importantes nomes, como Ana Miranda, escritora de Fortaleza, que se lançou no mercado literário nacional com dois livros de poesia, com ótima crítica e aceitação do público. Mas foi com a obra Boca do Inferno (1989), que Ana alcançou o ápice de sua escrita, conquistando prêmios nacionais e internacionais, inclusive, tendo o livro incluído na lista dos cem maiores romances de língua portuguesa do século XX.

Outro nome de peso no evento, foi Maurício de Sousa, cartunista brasileiro reconhecido internacionalmente, por imortalizar a Turma da Mônica, sua criação há cinquenta anos. Aos 83, Maurício avalia sua obra como importante para a alfabetização de milhões de crianças, que hoje são pais e continuam fãs fervorosos, renovando por meio dos filhos, a legião de amantes das revistas em quadrinho.

“Nós somos recebidos por diversas culturas no mundo inteiro. E o que mais eu considero, no meu trabalho, é a alfabetização que as revistas promovem, como uma espécie de cartilha informal, que dá acesso ao aprendizado”, afirma o autor, que esteve próximo de seu público, por meio da palestra sobre sua trajetória de sucesso.

Enquete

O que você achou da Feira?

“Muito boa para as crianças, como eu, que gostam de ler. Eu já passei pelo cantinho da leitura, visitei os estandes, comprei algumas revistas em quadrinhos e me diverti muito. O melhor foi a palestra do Maurício de Sousa”

Yulle Ribeiro Leal. Estudante

“Ela nos dá visibilidade, já que o mercado literário no Ceará é restrito e impede a revelação de novos nomes. Muitos escritores buscam essa visibilidade fora. Aqui, não há muito apoio, na edição e na distribuição”

Mendes Júnior. Escritor

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Jonas Deison

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