Sobral intensifica ações de combate à hanseníase

Image-0-Artigo-2198169-1No ano passado, este Município registrou 69 novos casos de hanseníase. No ano anterior, foram 81. Apesar da queda, foi observado que parte dessas pessoas eram reincidentes, pois já tinham sido tratadas e dadas como curadas. Mesmo com as ações rotineiras realizadas nos Centros de Saúde da Família, neste mês, a Secretaria da Saúde, por meio da Vigilância Epidemiológica, resolveu dedicar mais tempo aos atendimentos, criando a primeira mobilização do ano. Em 2014, Sobral esteve na lista dos municípios hiperendêmicos em relação à doença, com pouco mais de 40 casos para cada 100 mil habitantes, segundo o alerta do Ministério da Saúde.

Nos últimos dois anos, a queda nas taxas de detecção da doença, levantadas pela Vigilância Epidemiológica aponta que o Município tem saído da hiperendemicidade para a situação considerada “muito alta”. Em Sobral, o perfil dos pacientes é de pessoas de baixa renda, com pouca escolaridade, tanto homens quanto mulheres, que de alguma forma vivem em situação de risco, sem cuidados básicos em relação à saúde: como pouca higiene e dividir objetos pessoais, como toalhas, roupas e copos. Segundo estudos científicos, 90% das pessoas que têm contato com o bacilo transmissor da Hanseníase, não adoecem, pois o mal se manifesta naquelas pessoas que, por algum motivo, apresentem baixa imunidade.

Tipos da doença

A classificação da hanseníase é baseada no número de lesões pelo corpo, que podem ser identificadas como paucibacilar, com até cinco lesões, com tratamento de seis a oito meses; e a multibacilar, com mais que cinco lesões e que exige tratamento de um ano, a um ano e seis meses. O medicamento é gratuito e recebido na própria Unidade de Saúde dos bairros e distritos. Com apoio do Agente de Saúde, que atende sistematicamente nas residências, a cobertura, nesses casos, tem diminuído a dispersão de alguns pacientes.

Apesar do monitoramento, caso a caso, feito pela Vigilância Epidemiológica, os índices ainda são preocupantes. “Apesar das ações de rotina, que já ocorrem em Sobral, precisamos desse olhar de mais atenção à doença, que ainda tem se manifestado de forma preocupante, principalmente quando a identificamos em crianças. O Município não é mais endêmico, mas ainda é considerado muito alto, dentro do que preconiza o Ministério da Saúde”, afirma Sandra Maria Flor, gerente da Vigilância Epidemiológica de Sobral.

Abandono do tratamento

Daniel Anderson do Nascimento, 20, aproveitou a movimentação do Posto de Saúde do Bairro Terrenos Novos, onde mora, e foi refazer os exames. O rapaz já apresenta sinais do avanço da doença, como os dedos das mãos e pés deformados, além de manchas pelo corpo e um perceptível desvio do septo nasal.

O caso do jovem chamou a atenção da equipe de Saúde, pois o mesmo relatou abandono de tratamento há cerca de um ano. “Durante a abordagem feita pelo enfermeiro, descobriu-se que ele não concluiu o tratamento; mas só com a verificação da antiga ficha dele, é que saberemos por onde reavaliar a situação desse jovem”, explica Sandra Flor.

Preconceito

A dona de casa Maria Galdino Oliveira, 51, foi outra que aproveitou para buscar ajuda médica. Há alguns anos, o pai e a irmã da dona de casa já contraíram a doença e seguiram à risca o tratamento, conseguindo a cura. Agora Maria observou o aparecimento de manchas pelo corpo. No início, sem muita preocupação, ela passou a utilizar pomadas e cremes recomendados por amigos; mas, ao perceber que não havia melhora, resolveu fazer a baciloscopia. “Resolvi mostrar ao médico, porque já tive dois casos em casa e sei o quanto foi difícil para meus familiares lidar com a doença. Ainda existe muito preconceito”, afirmou.

Com Informações de Marcelino Júnior

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Jonas Deison

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