Apenas 4 cidades cearenses não registraram óbito por Covid-19 em 2021; veja lista

Apenas quatro das 184 cidades cearenses não registraram óbito por decorrência da Covid-19 neste ano de 2021: São João do Jaguaribe, Senador Sá, Umari e Granjeiro. A informação foi confirmada pelas secretarias de saúde dos municípios. O quantitativo representa somente 2,17% de todos os municípios do Estado.

Granjeiro, inclusive, é a cidade com menor número de mortes registradas durante toda a pandemia: dois. O primeiro registro foi em 4 de setembro do ano passado e, o segundo, no dia 17 daquele mesmo mês. O município, distante 484 KM de Fortaleza, foi o último a ter registro de óbitos em decorrência da infecção por coronavírus em 2020.

Contudo, segundo dados da IntegraSus, da Secretaria da Saúde (Sesa) do Estado, extraídos às 9h13 desta terça-feira (30) a lista de cidades sem óbitos em 2021 é composta por dez cidades. Além das quatro citadas acima, a Sesa inclui Ararendá, Novo Oriente, Quixelô, Saboeiro, Salitre, Ubajara.

Em contato com as Secretarias da Saúde destes municípios, foi apurado que já houve registro de mortes em 2021 nesses locais. Em Salitre e Novo Oriente, por exemplo, já são quatro mortes neste ano. Em Saboeiro, Quixelô e Ararendá teve ao menos um óbito. Já em Ubajara são pelo menos cinco mortes em 2021 por decorrência do vírus. A Sesa informou que fará uma auditoria nos dados a partir dessa inconformidade e, até a publicação da matéria, não informou o motivo dessa incorreção.

CIDADES MENOS POPULOSAS

Mas quais fatores podem explicar esse panorama positivo nas quatro cidades sem registro de mortes? Os gestores reconhecem que o número de habitantes reduzido “ajuda a conter a disseminação” do vírus, mas ressaltam outros pontos tidos como preponderantes para a drástica redução da mortalidade, como o respeito às medidas sanitáriastestagem em massa e vacinação avançando de forma acelerada.

 

médico infectologista e professor adjunto de pediatria do curso de medicina da Universidade Federal Ceará (UFC), Robério Leite, explica que o fato das quatro cidades terem menos de dez mil habitantes contribui para o processo de conter o avanço da doença.

“Mais uma vez temos dois prismas. É fato que em uma cidade de menor densidade populacional o vírus circule com menor intensidade e, na teoria, seja mais fácil conter a transmissão. Mas, quando a um infectado grave, geralmente o acesso as unidades hospitalares é mais distante e esse tempo de deslocamento pode ser um fator de risco”.

Robério conclui que, independentemente do porte da cidade, as recomendações sanitárias são universais e devem ser seguidas. “Manter o distanciamento social, usar máscaras e higienizar as mãos. Tudo isso aliado a vacina é o caminho para vencer a pandemia”, conclui.

Para Mila Lopes da Silva, titular da Secretaria da Saúde de São João do Jaguaribe, o principal responsável por essa redução é a população. “Eles [habitantes] entenderam a gravidade do problema e colaboraram. Nossa cidade, ainda que pequena, não tem registro de aglomeração, o comércio tem respeitado todas as medidas sanitárias e estamos, há alguns meses, com relativa tranquilidade em relação ao surgimento de novos casos”, avalia.

A última morte no Município foi em 20 de dezembro do ano passado. Ao todo, a cidade tem quatro óbitos por decorrência do novo coronavírus. A média móvel de novas infecções que chegou a 4,14 no dia 12 de janeiro deste ano – a mais alta desde o início da pandemia – caiu para 0,4 nesta segunda-feira, dia 29. Os dados são do portal IntegraSus.

A forte tendência de queda nos casos conferiu ao Município, no início deste mês, o status de única cidade do Estado com risco normal de transmissão. Para Mila, os números refletem uma parceria exitosa entre população e agentes de saúde.

 

“Fomos transparentes desde o início da pandemia, passando com fidelidade todos os números. Deste modo, a população compreendeu o cenário e ajudou [a reduzir os indicadores]”, conclui.

 

Legenda: São João do Jaguaribe tem 7.902 habitantes e 389 infectados pela Covid-19
Foto: Paulo Filho

 

TESTAGEM EM MASSA

Em Umari, cidade com pouco mais de 7.700 habitantes, a estratégia foi ampliar a testagem para obtenção de diagnósticos precoce. “Quando identificamos o infectado nos primeiros dias, evitamos que ele transmita esse vírus para outras pessoas”, pondera Josué Barros, enfermeiro-chefe do Município.

Quando um morador apresenta qualquer sintoma, acrescenta Josué, é aplicado o teste e, até que saia o resultado, “ele e seus familiares em contato direto são orientados a permanecerem em casa”. Esse “bloqueio familiar” é monitorado pela equipe da saúde do Município.

 

“O isolamento tem sido respeitado e esse é um dos principais fatores que levaram à redução de casos e mortes em Umari”, considera Barros.

 

Além disso, o profissional pondera que a cidade tem investido na fiscalização e conscientização. Com ações desenvolvidas por uma equipe multidisciplinar, composta com enfermeiros, técnicos e agentes de saúde, as aglomerações no Município cessaram.

Informações Diário do Nordeste

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