O Fed (Federal Reserve) subiu os juros nos Estados Unidos em 0,25 ponto nesta quarta-feira (16), no primeiro movimento aperto da taxa em três anos. Agora, a banda de referência da autoridade monetária está entre 3,75% e 4%. A decisão foi unânime.
O resultado vem em linha com o esperado pelo mercado, que agora aguarda pela coletiva do chair do Fed, Kevin Warsh, às 15h30 (horário de Brasília).
Os rendimentos dos títulos do Tesouro avançaram ao longo deste ano em meio a uma venda generalizada no mercado global de títulos, elevando os custos de empréstimos para consumidores, empresas e o governo dos EUA.
Em seu comunicado, a autoridade afirmou que os gastos domésticos permanecem resilientes apesar do elevado nível de incerteza e destacou que a atividade econômica norte-americana segue avançando em ritmo sólido.
A decisão do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) ocorre em meio à pressão de preços em todo o mundo, reflexo das disfunções no mercado geradas pelo conflito no Oriente Médio.
Já a inflação está acima da meta de 2% do Fed há quase meia década e piorou desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro.
A alta dos juros também ocorre em meio ao aumento dos juros exigidos pelo mercado para os títulos do Treasury, que se mantém pressionado próximo de 5%.
O colegiado também destacou que o crescimento da produtividade é dorte e que os investimentos de capital permanecem robustos. Sobre o mercado de trabalho, a autoridade afirmou que os ganhos de emprego têm acompanhado o crescimento da força de trabalho, enquanto a taxa de desemprego apresentou pouca alteração.
O movimento ocorre diante da persistência da inflação americana e da pressão provocada pelo aumento dos preços de energia. O PCE, índice de preços relacionado aos gastos dos consumidores e considerado a principal referência de inflação do Fed, acumulou alta de 3,7% nos 12 meses até julho.
Os dados mais recentes também reforçaram a preocupação. O CPI, equivalente ao índice de preços ao consumidor, avançou 0,4% em agosto, enquanto o núcleo do indicador, que exclui componentes mais voláteis como alimentos e energia, subiu 0,3%.
Já o índice de preços ao produtor acumulou alta de 5,4% em 12 meses até agosto.
Continuidade dos aumentos
De acordo com a previsão mediana do recém-divulgado Sumário de Projeções Econômicas trimestrais, os dirigentes do Federal Reserve preveem um aumento das taxas de juros em pelo menos mais 0,25 ponto percentual este ano.
Quatro dos 18 analistas que apresentaram suas previsões acreditam que as taxas de juros precisarão subir 0,5 ponto até o final do ano. Dois acreditam que o Fed não precisará aumentá-las novamente.
No passado, todos os 19 funcionários do Fed – 12 dos quais são presidentes de bancos regionais e nove fazem parte do Conselho de Governadores – apresentaram essas projeções. Mas as previsões de junho e setembro incluíram 18 projeções.
Kevin Warsh afirmou na reunião de política monetária de junho que não apresentou uma projeção porque não quer ficar vinculado ao que é essencialmente uma estimativa. É praticamente certo que a previsão dele é a que está faltando desta vez também.
Warsh desafia Trump
O presidente Donald Trump nomeou o presidente do Federal Reserve com a intenção de reduzir as taxas de juros. Mas o homem que ele escolheu a dedo para liderar a maior economia do mundo votou a favor de um aumento da taxa apenas alguns meses após assumir o cargo.
Warsh, juntamente com os outros 11 membros votantes do Federal Reserve, concordaram na necessidade de elevar as taxas de juros em 0,25 ponto percentual na quarta-feira.
Em um passado recente, quando o Fed mudou de rumo, houve dissidências, então é notável que, neste caso, não tenha havido nenhuma.
Fonte:CNN Brasil

