20 mil crianças receberam vacina irregular contra a Covid-19, dizem Bolsonaro e AGU

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que cerca de 20 mil crianças, de 0 a 11 anos, teriam sido vacinadas contra a Covid-19 no Brasil antes da liberação da vacinação infantil pelas autoridades de saúde. A afirmação do presidente tem como base dados do Ministério da Saúde repassados à Advocacia-Geral da União (AGU) que, posteriormente, informou o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a eventual vacinação de forma irregular.

“Mais de 20 mil crianças entre zero e 11 anos haviam sido vacinadas até o final do ano passado, algo completamente irregular”, disse o presidente em entrevista à Jovem Pan. Outros imunizantes, além do específico da Pfizer para o grupo dessa faixa etária, teriam sido utilizados; o que configuraria irregularidades na aplicação dos imunizantes.

De acordo com relatório da Saúde, com base em dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), até dezembro do ano passado teriam sido vacinadas cerca de 2,4 mil crianças de zero a quatro anos, bem como outras 18 mil pessoas de cinco a 11 anos. A AGU acionou o STF solicitando a suspensão de campanhas de vacinação de crianças e adolescentes em desacordo com as diretrizes do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação (PNO) e recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os Conselhos Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) divulgaram nota conjunta manifestando-se sobre o tema e informaram que “irão examinar de forma meticulosa a denúncia apresentada, haja vista que os sistemas de informação do Ministério da Saúde estão instáveis há mais de 30 dias”.

Segundo os órgãos, nas mais de 300 milhões de doses de vacinas contra Covid-19 já aplicadas no Brasil, é possível que tenham ocorrido erros como os listados pela AGU. “Tanto podem ser erros de digitação, ou erros dos próprios sistemas de informação, o que impõe cautela e discernimento para a verificação de tais situações”, escreveram.

E seguiram: “Destacamos, ainda, que as recomendações da Anvisa para a aplicação das vacinas contra a Covid-19 em crianças encontram-se em nota pública, onde a agência reguladora afirma que ‘as recomendações não possuem caráter mandatório’ e que ‘são passíveis de ajustes por parte dos estados e municípios’”, finalizam os conselhos.

Fonte: OPovo