Onda de violência contra vigilantes em assaltos a empresas preocupa categoria no Ceará
Profissionais muitas vezes trabalham sozinhos e em locais vulneráveis
A onda recente de ataques a vigilantes em diferentes pontos do Ceará tem gerado preocupação e mobilização entre os profissionais da segurança privada. Em setembro, dois casos chamaram atenção: no Eusébio, um vigilante de um posto de combustível foi abordado por dois criminosos armados que exigiram e levaram a arma do trabalhador; dias depois, em Fortaleza, outro vigilante, que atuava em uma escola do bairro Antônio Bezerra, foi rendido por bandidos no momento em que abria o portão após o fim das aulas.
Um dos profissionais, que atua há 15 anos como vigilante em escolas municipais da capital, relatou que situações de risco são cada vez mais frequentes. “Eu trabalho em escola da prefeitura de Fortaleza. Por volta de 12 horas o alarme tocou e a gente foi verificar. A gente não tem acesso às câmeras, mas percebi que já tinha dentro da escola duas pessoas. Eles viram a minha presença, eu recuei por segurança e acionei a polícia e a Guarda Municipal para poderem dar apoio”, contou.
Os episódios evidenciam o aumento da violência enfrentada pelos vigilantes, que muitas vezes trabalham sozinhos e em locais vulneráveis. “A gente vive uma situação muito difícil no Brasil todo, e o estado do Ceará não é diferente. Existem os ataques, sem dúvida alguma. Vários deles a gente vem conseguindo dar resposta, mas lembrando que o vigilante trabalha só. Muitas vezes estamos no posto de serviço sozinhos, como aconteceu agora em Sobral. Se não tivesse um vigilante ali, teria sido uma ação ainda mais violenta daqueles bandidos”, afirmou Daniel Borges, presidente do Sindicato dos Vigilantes do Ceará.
Segundo ele, o sindicato tem intensificado o suporte às vítimas desses ataques. “A gente tem um quadro de sócios, tem psicóloga dentro do sindicato. Já colocamos essa profissional porque começamos a ver as dificuldades da categoria — havia sinistros e nenhum apoio. Desde que assumimos o sindicato, temos essa visão de estar mais próximos do trabalhador”, explicou Borges.
Além de cobrar respostas das autoridades, a categoria reivindica melhores condições de trabalho e mais segurança para os profissionais. “A gente cobra muito do Governo do Estado uma resposta à altura, porque fazemos a segurança privada, que é uma área fechada. Quando a segurança pública não está conseguindo dar a resposta, e a gente sabe que as facções vêm crescendo cada vez mais no Ceará, logicamente vão acontecer ataques em vários locais, como escolas e postos de saúde. É uma situação muito complexa”, completou o sindicalista.
Fonte: Gcmais

