A costura por uma eventual transferência de Jair Bolsonaro ganhou força entre aliados, autoridades do Planalto e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O jornal O Globo divulgou as informações nesta sexta-feira, 30.
A mobilização envolve diretamente Michelle Bolsonaro, conta com o apoio reservado de nomes como Gilmar Mendes e Nunes Marques e tem como trunfo um novo laudo médico produzido pela Polícia Federal (PF).
Gilmar convenceu Alexandre de Moraes, relator do inquérito sobre a suposta tentativa de golpe, a receber Michelle em seu gabinete no dia 15 de janeiro. Inclusive, o próprio Gilmar conversou com a ex-primeira-dama e, embora ressalte que a decisão cabe a Moraes, tem manifestado apoio à mudança de regime em razão das condições médicas de Bolsonaro.
Kassio Nunes, por sua vez, já transmitiu a Moraes sua concordância com a eventual transferência para o regime domiciliar.
Laudo médico embasa pedido por prisão domiciliar
Na semana passada, uma equipe de três peritos da PF esteve na Papudinha, Sala de Estado-Maior dentro do Complexo da Papuda, onde Bolsonaro está detido. O laudo médico ainda não foi finalizado, mas já se tornou peça central nas tentativas de revisão do regime.
Aliados e integrantes do Judiciário e do Executivo demonstram preocupação com um possível agravamento do estado de saúde do ex-presidente.
O temor ganhou força depois da morte de Cleriston Pereira da Cunha, ocorrida em 2023. Preso preventivamente pelos atos do 8 de janeiro, ele sofreu um mal súbito durante o banho de sol e morreu dentro da Papuda.
Inclusive, no dia 15 de janeiro, advogados e parlamentares acionaram a Organização dos Estados Americanos, por meio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, com um pedido de concessão de medidas cautelares em favor de Bolsonaro.
De acordo com os signatários, o ex-presidente é idoso, possui comorbidades e enfrenta quadro clínico incompatível com a permanência no cárcere.
Nesse sentido, a petição sustenta que esse histórico “constitui parâmetro concreto de advertência acerca dos riscos associados à manutenção da custódia de pessoas clinicamente vulneráveis diante de alertas médicos reiterados”.
Fonte: Revista Oeste

