Ministério Público denuncia supostas irregularidades e excesso da Guarda Municipal em Sobral e comerciantes reagem: quem está protegendo quem?
Uma solicitação encaminhada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) à Secretaria Municipal da Segurança Cidadã de Sobral reacendeu um debate sensível sobre segurança pública, abordagens da Guarda Municipal e a crescente sensação de insegurança vivida por comerciantes e moradores do Centro da cidade. O documento, expedido pela 5ª Promotoria de Justiça de Sobral, pede informações e manifestação formal da Prefeitura sobre denúncias de supostos excessos nas abordagens realizadas pela Guarda Civil Municipal junto à população em situação de rua.
No ofício, o MP solicita esclarecimentos sobre a regularidade das abordagens, o eventual uso da força, protocolos operacionais adotados, capacitação dos agentes e providências administrativas em caso de abusos. O órgão estabelece prazo de 15 dias para resposta e destaca que a apuração decorre de denúncia formal recebida pela Promotoria, envolvendo ações da Guarda Municipal em Sobral
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A iniciativa, no entanto, provocou forte reação de parte da população, especialmente de comerciantes da região central. Em nota de repúdio enviada ao Portal Sobral Online, uma comerciante relatou indignação com o que considera uma limitação à única força municipal que ainda tenta conter ações criminosas ligadas ao consumo de drogas e à criminalidade urbana.
Segundo o relato, o comércio da denunciante foi invadido ao menos seis vezes durante a madrugada, acumulando prejuízos financeiros irreparáveis. O impacto não foi apenas econômico: a comerciante afirma ter desenvolvido crises de ansiedade e pânico, a ponto de não conseguir mais entrar na própria loja. Diante da situação, acabou sendo obrigada a encerrar as atividades comerciais.
Para ela, o questionamento do Ministério Público às abordagens da Guarda Municipal ignora a realidade enfrentada por quem vive e trabalha diariamente no Centro da cidade. “Quem deveria agir para mudar a situação dessas pessoas não faz nada. Enquanto isso, a cidade recebe diariamente novos usuários de drogas, muitos fugidos de outras cidades, e o comércio fica à mercê da violência”, desabafa.
A comerciante também critica o que chama de omissão de órgãos ligados aos direitos humanos, que, segundo ela, não apresentam soluções concretas para a reinserção social da população em situação de rua. Em tom duro, afirma que limitar a atuação da Guarda Municipal representa “falta de sensibilidade” com o cidadão que trabalha, gera empregos e tenta sobreviver em meio ao avanço da criminalidade.
O episódio evidencia um conflito delicado entre a defesa dos direitos humanos, a atuação institucional do Ministério Público e a demanda urgente por segurança por parte da população. Enquanto o MP sustenta que sua atuação visa garantir legalidade, proporcionalidade e respeito aos direitos fundamentais, comerciantes e moradores cobram respostas práticas para conter invasões, furtos e o clima constante de medo.
A discussão segue aberta e promete novos desdobramentos, à medida que a Prefeitura de Sobral prepara sua resposta oficial ao Ministério Público e a sociedade cobra soluções que conciliem proteção social, ordem pública e segurança efetiva para quem vive e trabalha na cidade.

