A Reforma Tributária já começa a sair do campo teórico e passa a interferir diretamente no dia a dia das empresas brasileiras. No varejo farmacêutico, setor marcado por forte regulação e margens reduzidas, o novo cenário impõe mudanças profundas na forma de gerir tributos, preços e operações.
Com a substituição de impostos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pelos novos IBS e CBS, além da criação do Imposto Seletivo, a lógica de apuração e aproveitamento de créditos será completamente alterada. Dessa forma, farmácias que lidam com regimes diferenciados, produtos monofásicos e substituição tributária precisarão de atenção redobrada para evitar perdas financeiras.
Segundo Stephenson Seleber, presidente da Alpha7 Software, a adaptação não pode ser superficial. “A Reforma Tributária não se resume a trocar impostos. Ela muda a estrutura de cálculo e a relação das empresas com o Fisco. Quem não se antecipar corre o risco de aumento de carga tributária e falhas operacionais”, alerta.
Período de transição exige preparo
Apesar do discurso de simplificação, o novo sistema não será implantado de forma imediata. Durante a transição, empresas terão de conviver com o modelo atual e o novo ao mesmo tempo. Por isso, o setor farmacêutico precisará revisar cadastros fiscais, reavaliar preços, ajustar compras e garantir que seus sistemas estejam preparados para operar em dois formatos simultaneamente.
Além disso, o controle dos créditos tributários passa a ter papel central. Qualquer falha nesse processo pode gerar distorções e impactar diretamente a rentabilidade das farmácias.
Stephenson destaca que o maior risco está na procrastinação. “A ideia de que ainda há tempo pode custar caro. A preparação precisa começar agora, principalmente na área tecnológica”, afirma.
Impacto direto na margem
Como as farmácias trabalham com alta competitividade e margens estreitas, pequenas mudanças na tributação já são suficientes para comprometer resultados. Com o novo modelo de imposto sobre valor agregado, aproveitar corretamente os créditos será determinante para manter a saúde financeira do negócio.
Além disso, erros na formação de preços podem afastar consumidores ou reduzir ainda mais a margem. Por isso, revisar processos internos se torna indispensável.
“A tecnologia deixa de ser apenas suporte e passa a ser estratégica. Um erro de parametrização pode gerar prejuízo contínuo”, reforça Seleber.
Tecnologia como eixo central
Nesse contexto, sistemas de gestão atualizados ganham protagonismo. A Reforma Tributária exigirá plataformas capazes de acompanhar alterações legais, simular cenários e integrar novas obrigações fiscais.
Soluções tecnológicas já estão sendo desenvolvidas para oferecer atualização automática das regras, análises comparativas entre os dois modelos e relatórios que mostram o impacto real na margem das farmácias. Assim, o gestor consegue tomar decisões mais seguras e embasadas.
Planejamento como diferencial competitivo
Com o novo ambiente tributário, o planejamento fiscal deixa de ser opcional e passa a ser essencial. Farmácias precisarão reavaliar regime tributário, estrutura de custos, fornecedores, estoque e estratégias de crescimento.
O suporte de contadores, consultores especializados e empresas de tecnologia será decisivo nesse processo. “A Reforma deve ser vista como transformação estrutural. Quem se preparar agora terá vantagem competitiva quando o novo sistema estiver consolidado”, conclui Stephenson Seleber.
A Reforma Tributária inaugura um novo capítulo para o varejo farmacêutico. Mais do que cumprir a legislação, o desafio está em proteger margens, manter competitividade e estruturar uma operação preparada para um modelo fiscal totalmente reformulado.
Fonte: Alpha7

