Com a elevação das temperaturas, buscar formas de refrescar os ambientes se torna quase inevitável. Ventiladores ligados por horas ou o uso constante do ar-condicionado passam a fazer parte da rotina. No entanto, embora tragam conforto térmico imediato, esses aparelhos podem ter efeitos distintos sobre a saúde respiratória, especialmente quando utilizados sem os devidos cuidados.
De acordo com a otorrinolaringologista Dra. Anike Nascimbem, do Hospital Paulista, a escolha entre ventilador e ar-condicionado deve levar em conta não apenas o alívio do calor, mas também as condições de saúde de quem está exposto ao equipamento. “Cada aparelho atua de forma diferente no ambiente e no organismo. Por isso, não existe uma resposta única que sirva para todas as pessoas”, explica.
Ar-condicionado: benefícios e cuidados necessários
O ar-condicionado costuma ser mais indicado para pessoas com rinite alérgica e asma, pois possui filtros capazes de reter poeira, partículas e outros agentes irritantes do ar. Esse processo contribui para reduzir a exposição a alérgenos e melhorar a qualidade do ar inalado.
Por outro lado, o uso prolongado pode provocar ressecamento das vias aéreas. “Nariz e garganta ficam mais secos, o que pode gerar desconforto, irritação e até sangramentos em casos mais sensíveis”, alerta a médica. Para evitar esses efeitos, a recomendação é manter temperaturas moderadas e intercalar períodos de uso.
Ventilador: alívio imediato, mas com ressalvas
Diferente do ar-condicionado, o ventilador não resfria nem filtra o ar. Ele apenas promove a circulação do ar já presente no ambiente. Isso pode trazer sensação de frescor, porém também espalha poeira, ácaros e micro-organismos. “Em pessoas com alergias respiratórias, esse movimento constante pode intensificar sintomas como espirros, coriza e falta de ar”, afirma Dra. Anike.
Em contrapartida, por não ressecar tanto as mucosas, o ventilador tende a ser melhor tolerado por quem não apresenta doenças respiratórias.
Como evitar crises respiratórias
Independentemente do aparelho escolhido, algumas medidas ajudam a reduzir riscos. Manter o corpo hidratado, realizar lavagens nasais com soro fisiológico e controlar a umidade do ambiente são atitudes simples e eficazes. O uso de umidificadores pode ser benéfico, desde que o equipamento seja higienizado com frequência.
Manutenção é essencial
A limpeza regular dos aparelhos faz toda a diferença. Ventiladores acumulam poeira nas hélices e grades, enquanto filtros de ar-condicionado sujos comprometem a qualidade do ar. “Sem manutenção adequada, qualquer um dos dois pode se tornar um problema para a saúde”, reforça a especialista.
Grupos que exigem mais atenção
Crianças, idosos e pessoas com histórico de alergias respiratórias são mais vulneráveis aos efeitos do uso inadequado desses equipamentos. Para esse público, seguir as recomendações de higiene, hidratação e controle ambiental é ainda mais importante.
Equilíbrio é a melhor escolha
Segundo a médica, não há um vilão absoluto quando o assunto é enfrentar o calor. “Ventiladores e ar-condicionado podem ser aliados do bem-estar, desde que usados com bom senso. Conhecer as diferenças entre eles e adotar cuidados básicos é o caminho para garantir conforto térmico sem prejuízos à saúde”, conclui Dra. Anike.
Fonte: Hospital Paulista

