Celular furtado no Carnaval pode virar porta de entrada para golpes e fraudes digitais
Especialistas alertam que acesso a e-mails, redes sociais e dados salvos no aparelho amplia riscos após roubos em meio à folia
O furto ou roubo de celulares durante o Carnaval representa um risco que vai além da perda do aparelho. Em meio a blocos lotados, festas de rua e grandes aglomerações, o smartphone pode se tornar um ponto de acesso para golpes digitais, fraudes financeiras e uso indevido de dados pessoais. O alerta é da ESET, empresa especializada em segurança digital.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o Brasil registrou mais de 900 mil celulares subtraídos no último ano, somando furtos e roubos. Parte expressiva desses crimes ocorre durante o período carnavalesco, quando a distração e a movimentação intensa favorecem a ação de criminosos.
Apenas na cidade de São Paulo, por exemplo, foram contabilizados mais de 6 mil registros de roubo e furto de celulares durante os oito dias de Carnaval em 2025, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública. Quase 20% dos casos aconteceram em megablocos e vias com grande concentração de pessoas.
Por que o celular roubado representa um risco maior
De acordo com Daniel Barbosa, especialista em segurança digital, o principal problema não está apenas no aparelho, mas nas informações armazenadas nele. Atualmente, o celular concentra e-mails, aplicativos bancários, redes sociais, documentos e dados pessoais.
“Quando um criminoso tem acesso a esse conjunto de informações, o impacto pode ser muito maior do que a perda material. Em poucos minutos, ele consegue causar prejuízos financeiros e danos à identidade da vítima”, explica o especialista.
Além disso, muitos aplicativos permanecem logados, o que facilita o acesso indevido e acelera a prática de golpes.
E-mail e redes sociais estão entre os principais alvos
Entre os aplicativos mais sensíveis estão os serviços de e-mail. Isso porque eles funcionam como chave para redefinição de senhas de bancos, redes sociais e plataformas digitais.
“Com acesso ao e-mail, o criminoso consegue recuperar senhas, burlar autenticações e assumir contas rapidamente”, alerta Daniel Barbosa.
Da mesma forma, redes sociais e aplicativos de mensagens permitem acesso à rotina da vítima, contatos próximos e histórico de conversas. Com essas informações, golpistas aplicam golpes de engenharia social, solicitam transferências financeiras ou tentam extorquir familiares e amigos.
Aplicativos bancários são seguros, mas exigem atenção
Embora causem preocupação, os aplicativos bancários costumam apresentar alto nível de segurança. No entanto, o risco surge quando o criminoso utiliza informações auxiliares, como senhas salvas, notas pessoais ou acesso ao e-mail.
“O problema raramente está no app do banco. Na maioria dos casos, a brecha está nos dados que ajudam a recuperar o acesso”, esclarece o especialista.
Mesmo com o celular bloqueado, há riscos adicionais. A visualização de notificações, a troca do chip para outro aparelho ou a conexão do celular a um computador podem permitir o roubo de códigos e informações sensíveis.
Como reduzir prejuízos em caso de roubo ou furto
Para minimizar os danos, a preparação prévia é fundamental. Segundo Daniel Barbosa, medidas simples adotadas com antecedência fazem grande diferença em situações de risco.
Entre as principais recomendações estão:
– Ativar recursos de bloqueio remoto e apagamento de dados à distância
– Evitar manter aplicativos logados automaticamente
– Proteger apps sensíveis com biometria ou senha adicional
– Ativar autenticação em dois fatores
– Utilizar cofres digitais para senhas
– Ocultar notificações na tela bloqueada
– Configurar senha no chip da operadora
“Essas medidas não impedem o crime, mas reduzem drasticamente os danos. Em muitos casos, elas evitam fraudes financeiras e o uso indevido da identidade”, conclui o especialista.
Fonte: ESET

