O resultado da quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, divulgado nesta quinta-feira (5), não indicou recebimentos ilegais do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no contexto da operação “Sem Desconto”. Parlamentares da oposição no Congresso Nacional manifestaram frustração após analisar os dados, que mostram que não houve pagamentos a Lulinha por parte do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
A suspeita contra Lulinha surgiu após apurações da Polícia Federal em dezembro de 2025, quando foram revelados pagamentos que somam R$ 1,5 milhão feitos por ordem de Antunes à empresária Roberta Luchsinger. Uma das transferências, no valor de R$ 300 mil, teria sido citada em mensagens de Antunes, nas quais ele mencionava que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”, suspeita que levou os investigadores a levantar a hipótese de envolvimento de Lulinha.
Deputado Rogério Correia repercute
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) comentou o caso ao falar com jornalistas, sublinhando que os dados vazados não apontam qualquer irregularidade financeira ou ligação com investigações relacionadas ao Banco Master. O parlamentar argumentou que as transações financeiras analisadas dizem respeito às próprias atividades empresariais de Lulinha.
Ele citou números divulgados no contexto da investigação para relativizar o volume financeiro movimentado. De acordo com Correia, os registros apontariam cerca de R$ 19 milhões em movimentações ao longo de cinco anos. Na avaliação do deputado, o montante não seria incomum para quem atua no setor empresarial.
Para ilustrar o argumento, Correia comparou o valor com a movimentação financeira aproximada de parlamentares federais. “Se você pedir para quebrar o sigilo de muitos deputados, provavelmente vai ser bem mais que R$ 19 milhões em cinco anos, então existe aí uma falácia sendo contada. não houve nada de Careca do INSS, não houve nada de INSS, não houve nada ilegal posto até agora”, conta.
Durante a conversa com a imprensa, o deputado também avaliou que a divulgação das informações tem sido utilizada para construir uma narrativa negativa. Para ele, há uma distorção no debate público ao associar as movimentações financeiras de Lulinha a suspeitas que, até o momento, não teriam sido confirmadas por elementos concretos.
Após revelação sobre filho do Lula e careca do INSS, investigação segue em andamento
A investigação da PF aponta que Antunes era um dos operadores do esquema de descontos ilegais sobre aposentados e pensionistas do INSS, repassando parte dos recursos a funcionários do instituto, familiares e empresas ligadas a eles. Os pagamentos investigados teriam sido feitos à RL Consultoria e Intermediações, da qual Luchsinger é sócia, e teriam como justificativa serviços não efetivamente prestados.
Segundo a apuração, Luchsinger seria um elo entre Lulinha e Antunes em projetos na área da saúde, além de ter papel relevante na ocultação de patrimônio e movimentação de valores do grupo criminoso. Mensagens analisadas pela PF indicam que ela orientava Antunes a se desfazer de telefones e relatava situações semelhantes ocorridas na época em que Lulinha teria sido citado em investigações ligadas à empresa Friboi.
Fraude do INSS
A fraude no INSS, descoberta em abril de 2025 pela CGU e pela Polícia Federal, envolveu descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas, movimentando cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Sindicatos e associações de aposentados conseguiam descontar mensalidades sem autorização, e diversas empresas teriam atuado como intermediárias financeiras do esquema.
Entre os investigados estão servidores do INSS, incluindo o ex-presidente Alessandro Stefanutto, que foi demitido e preso, e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como facilitador do desvio. Até o momento, a PF não identificou provas de que Lulinha tenha recebido qualquer valor diretamente ligado ao esquema.
Fonte: GC+

