Toffoli diz que não teve acesso a mensagens do celular de Vorcaro enquanto relatava caso Master

Gabinete do ministro afirma que material da quebra de sigilo só chegou ao STF após mudança da relatoria para André Mendonça.

O gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, informou nesta sexta-feira (6) que o magistrado não teve acesso aos dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro enquanto era relator do caso envolvendo o Banco Master.

De acordo com a nota divulgada, o material coletado pela Polícia Federal somente foi encaminhado ao Supremo após o ministro André Mendonça assumir a relatoria do processo, em 12 de fevereiro.

Material chegou ao STF após mudança de relatoria

Segundo o gabinete de Toffoli, até a data em que ele deixou o caso, os dados extraídos dos aparelhos celulares apreendidos ainda não haviam sido enviados ao Supremo Tribunal Federal.

A nota também destaca que a última decisão do ministro no processo ocorreu em 12 de janeiro de 2026. Na ocasião, ele determinou que a Polícia Federal encaminhasse ao STF o conteúdo obtido nos dispositivos eletrônicos apreendidos durante as investigações.

Além disso, o gabinete informou que, enquanto esteve responsável pelo caso, o ministro autorizou todas as medidas solicitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria Geral da República.

Ainda conforme a manifestação, as investigações continuaram normalmente e nenhum pedido de nulidade foi aceito no período em que Toffoli esteve na relatoria.

Mensagens deram origem a nova fase da operação

As mensagens encontradas pela Polícia Federal nos aparelhos de Daniel Vorcaro contribuíram para a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero nesta semana.

A nova etapa da investigação resultou na prisão novamente do banqueiro. Segundo os investigadores, as conversas revelariam detalhes de um suposto esquema criminoso envolvendo corrupção.

Toffoli deixou a relatoria do caso após informar que é sócio de uma empresa que vendeu parte do resort Tayayá, no Paraná, a fundos ligados ao empresário investigado.

Um relatório da Polícia Federal enviado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, também citou o nome do magistrado a partir de dados encontrados no celular de Vorcaro. A situação levantou questionamentos sobre possível suspeição do ministro, hipótese que acabou sendo descartada posteriormente.

Crise envolvendo o Banco Master

A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado, marcou um dos episódios mais recentes da crise envolvendo a instituição financeira.

O banco operava sob forte pressão financeira, com alto custo de captação e exposição a investimentos considerados de maior risco.

Entre os sinais de alerta para o mercado estava a oferta de produtos financeiros com remuneração muito acima da média do setor, especialmente Certificados de Depósito Bancário.

O CDB é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta recursos ao banco e recebe juros como remuneração. Essa taxa pode ser definida previamente ou vinculada a indicadores como o CDI.

Tentativas de venda do Banco Master, incluindo uma proposta apresentada pelo Banco de Brasília, não avançaram. As negociações foram interrompidas após questionamentos de órgãos de controle, além de dúvidas sobre a transparência das operações e menções ao banco em investigações.

Fonte: G1