Prefeito cassado de Choró segue foragido há mais de um ano após investigação de fraudes no Ceará

Apontado pela Polícia Federal como um dos principais nomes de um esquema de fraude em licitações e desvio de recursos públicos no Ceará, o prefeito cassado de Choró, Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto Queiroz (PSB), permanece foragido desde dezembro de 2024. As informações constam em um relatório da PF obtido na última sexta-feira (13).

Bebeto foi eleito nas eleições municipais de 2024, mas não chegou a assumir o cargo. Ele foi preso em novembro do mesmo ano, suspeito de envolvimento em irregularidades em contratos de abastecimento de veículos da prefeitura. Após o término do prazo da prisão temporária, foi liberado no início de dezembro, porém teve um novo mandado de prisão expedido poucos dias depois, relacionado a outras investigações. Desde então, não foi mais localizado pelas autoridades.

A defesa do ex-prefeito informou que só irá se manifestar oficialmente dentro dos autos do processo.

Em abril de 2025, a Justiça Eleitoral determinou a cassação da chapa liderada por Bebeto. A decisão foi mantida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) em agosto do mesmo ano. Diante disso, uma nova eleição foi realizada no município no último dia 1º de março.

Esquema investigado

As investigações apontam que o caso vai além das primeiras denúncias registradas em 2024. Um relatório mais recente da Polícia Federal, divulgado em janeiro de 2026, revela a existência de um suposto esquema envolvendo fraudes em licitações, negociação irregular de emendas parlamentares e financiamento ilegal de campanhas eleitorais em diversas cidades do Ceará.

Segundo a PF, o grupo seria liderado por Bebeto Queiroz em conjunto com o deputado federal Júnior Mano (PSB). Em nota, a assessoria jurídica do parlamentar afirmou que a investigação não identificou irregularidades relevantes contra ele e criticou o vazamento de informações sigilosas em período pré-eleitoral.

De acordo com os investigadores, Bebeto atuava como intermediador na destinação de emendas parlamentares a prefeituras alinhadas ao grupo político. Em troca, era cobrada uma espécie de “taxa” que variava entre 12% e 15% dos valores repassados.

As apurações também indicam o uso de diversas empresas contratadas por prefeituras do interior para desviar recursos públicos. Esses valores seriam utilizados tanto para enriquecimento ilícito quanto para o financiamento de campanhas eleitorais, incluindo práticas como compra de votos. Posteriormente, essas mesmas empresas continuavam sendo beneficiadas com novos contratos nos municípios administrados por aliados eleitos.

A Polícia Federal destacou ainda que não conseguiu colher o depoimento de Bebeto devido à sua condição de foragido, o que, segundo o órgão, dificulta sua defesa e levanta suspeitas de tentativa de obstrução das investigações.

Um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará segue em aberto, com validade em todo o território nacional.

Estrutura do esquema

Conforme o relatório, o esquema teria se fortalecido com a participação do deputado Júnior Mano, ampliando a captação de recursos por meio de emendas parlamentares. Os valores eram direcionados a municípios considerados estratégicos, com o objetivo de consolidar apoio político e influenciar processos de contratação pública.

O funcionamento do grupo seguia um ciclo contínuo: candidatos apoiados eram eleitos, e, em seguida, empresas ligadas ao esquema passavam a firmar contratos com as prefeituras, garantindo o retorno financeiro ao grupo.

As investigações identificaram ao menos dez empresas suspeitas de participação no esquema. Dados da Controladoria-Geral da União (CGU) apontam que nove dessas empresas receberam cerca de R$ 455,5 milhões de prefeituras cearenses entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025.

Além disso, foi encontrada uma lista com pelo menos 71 prefeituras que teriam ligação política com o grupo. Em aproximadamente 50 dessas cidades, candidatos apoiados teriam sido eleitos. No entanto, ainda não há confirmação de que todos tenham recebido recursos oriundos do esquema investigado.

Fonte: G1