Redução da jornada de trabalho pode aumentar custos da construção, diz estudo da CBIC

Um estudo divulgado pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) aponta que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode elevar em até 15% os custos com mão de obra na indústria da construção.

De acordo com a economista-chefe da entidade, Ieda Vasconcelos, com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais de 2024, a mudança elevaria em cerca de 10% o custo da hora trabalhada, passando de R$ 15,01 para R$ 16,51.

O estudo aponta que o impacto seria maior em micro e pequenas empresas, assim como nas obras de habitação popular, onde a mão de obra representa uma parcela significativa do custo total.

Possíveis cenários para compensar a redução da jornada

O estudo apresenta três cenários possíveis para compensar a redução da jornada de trabalho. O primeiro seria diminuir o ritmo das obras, o que poderia resultar em atrasos em projetos e na redução da oferta de imóveis, ampliando o déficit habitacional.

A segunda alternativa seria a contratação de novos trabalhadores, com um custo adicional estimado em até R$ 13,5 bilhões por ano, incluindo encargos. No entanto, a entidade destaca que essa opção pode ser dificultada pela escassez de mão de obra e pelo baixo nível de desemprego no país.

O terceiro cenário seria a realização de horas extras, o que poderia representar um acréscimo de 15% nos custos da mão de obra no setor da construção, elevando-os para R$ 155,6 bilhões.

Impacto nos custos da construção

Segundo a CBIC, os custos da construção já estão acima da inflação. O Índice Nacional de Custos da Construção, da Fundação Getulio Vargas, acumulou alta de 5,81% em 12 meses até janeiro de 2026, enquanto o índice oficial de inflação ficou em 4,44%.

A entidade ressalta que o aumento de custos pode ter um impacto mais significativo na habitação popular, onde a mão de obra representa uma parte considerável do valor das obras.

A economista Ieda Vasconcelos destaca a importância de que essa discussão seja embasada em dados e leve em consideração os impactos econômicos e sociais.