Entre saídas e disputas internas, União Progressista pode desaparecer da Alece

O União Brasil vive um momento de fragilidade no Ceará, marcado por saídas de parlamentares, disputas internas e indefinição estratégica. Às vésperas do fim da janela partidária, o cenário aponta para o possível desaparecimento da bancada da sigla na Assembleia Legislativa do Ceará.

Até então, o partido contava com quatro deputados estaduais: Felipe Mota, Sargento Reginauro, Heitor Férrer e Firmo Camurça. No entanto, movimentações recentes indicam a dissolução do grupo.

Segundo Felipe Mota, parte da estratégia discutida envolvia a migração de parlamentares de oposição para o PSDB. A exceção foi Firmo Camurça, que optou por levar seu grupo político ao PSD, liderado no estado por Domingos Filho. A decisão, segundo ele, foi motivada por dificuldades nas negociações internas e “conversas desencontradas”.

No plano federal, o partido também enfrenta perdas. Eleito com quatro deputados federais pelo Ceará em 2022 — Danilo Forte, Fernanda Pessoa, Dayany Bittencourt e Moses Rodrigues — o União Brasil já viu sua bancada encolher.

Danilo Forte foi o primeiro a deixar a legenda, alegando falta de apoio à sua indicação ao Tribunal de Contas da União. Já Fernanda Pessoa também se desfiliou em meio ao desgaste provocado pela indefinição política do partido e oficializou sua entrada no PSD, alinhando-se ao grupo de Firmo Camurça e ao prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa.

A crise ocorre mesmo após a formalização da federação entre União Brasil e Partido Progressistas, homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral, que deu origem ao chamado “União Progressista”. A nova estrutura, no entanto, já nasce sob pressão, com disputas regionais e dificuldades de articulação política.

A condução nacional da sigla, sob o comando de Antônio Rueda, tem sido alvo de críticas. Um dos episódios foi o movimento do deputado Mendonça Filho, que chegou a pedir a anulação da federação, apontando entraves na construção de acordos nos estados.

No Ceará, o partido segue dividido entre base governista e oposição. A presidência estadual ainda está em disputa entre Moses Rodrigues e Capitão Wagner, ambos com interesse em direcionar os rumos da sigla — inclusive de olho em uma possível candidatura ao Senado.

O cenário se torna ainda mais complexo com a entrada da vice-governadora Jade Romero na federação União Progressista, movimento visto como uma tentativa de aproximar o partido da base do governador Elmano de Freitas. Ao mesmo tempo, o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, também integra o grupo, ampliando as disputas internas.

Diante desse quadro, o União Brasil no Ceará enfrenta um momento decisivo. A falta de alinhamento entre as lideranças e a ausência de uma estratégia clara enfraquecem a atuação regional, enquanto governo e oposição disputam o apoio da sigla.

No fim, a situação evidencia um desafio recorrente na política: não basta ser uma das maiores forças partidárias do país — é preciso coordenação, liderança e capacidade de articulação para manter relevância no cenário local.

 

Fonte: ANC Notícias