Economia do México registra retração no início de 2026

A economia do México iniciou o ano de 2026 com um desempenho abaixo das expectativas, registrando uma contração em sua atividade produtiva durante o primeiro trimestre. De acordo com dados oficiais divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (Inegi), o Produto Interno Bruto (PIB) do país apresentou um recuo de 0,8% em relação ao trimestre imediatamente anterior, considerando os ajustes sazonais.

Este resultado marca a primeira queda trimestral observada desde o final de 2024, evidenciando um cenário de desaceleração que impactou os principais setores produtivos da nação. A retração foi generalizada, afetando tanto a base industrial quanto o setor de serviços e a produção agrícola.

Desempenho setorial e indicadores de queda

O levantamento do Inegi detalha que a contração foi sentida de forma transversal na economia mexicana. A produção industrial sofreu uma baixa de 1,1%, enquanto o setor de serviços, que compõe uma fatia significativa do PIB, recuou 0,6%. Já a produção agrícola registrou uma queda de 1,4% no período.

Apesar do cenário negativo no ajuste sazonal, a comparação anual, sem esse ajuste, aponta uma leve alta de 0,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Nesse recorte, o crescimento do setor de serviços conseguiu, por pouco, compensar o desempenho desfavorável da indústria e do campo.

Perspectivas de recuperação e o papel do USMCA

Analistas do mercado financeiro mantêm uma expectativa de que a atividade econômica mexicana ganhe novo fôlego ao longo dos próximos meses. Um dos fatores centrais para essa projeção é a revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), prevista para julho, que deve trazer maior clareza aos investidores.

Além disso, a realização da Copa do Mundo de futebol, sediada conjuntamente por México, Estados Unidos e Canadá entre junho e julho, é vista como um catalisador para o aumento do consumo interno. Especialistas, como Kimberley Sperrfechter, da Capital Economics, indicam que o segundo trimestre deve marcar o retorno ao crescimento positivo, embora o aperto fiscal e a fragilidade do mercado de trabalho continuem sendo desafios persistentes.

Impacto na política monetária e consumo interno

O desempenho econômico abaixo do esperado tem gerado debates sobre a próxima reunião do Banco do México (Banxico). A expectativa é que a instituição considere uma redução na taxa básica de juros, movimento que historicamente ocorre em momentos de dados decepcionantes sobre o PIB, especialmente com a recente desaceleração da inflação.

Por outro lado, Alfredo Coutiño, da Moody’s Analytics, ressalta que o problema atual reside no motor doméstico da economia. Segundo o analista, estímulos governamentais, como transferências de renda e aumentos no salário mínimo, acabaram sendo absorvidos por importações, não gerando o impacto esperado na produção interna mexicana.

Para acompanhar mais notícias sobre o cenário econômico internacional e regional, acesse o nosso site www.sobralonline.com.br. Não perca nenhuma atualização e siga nossas redes sociais oficiais em @SobralOnline (https://www.instagram.com/sobralonline/).