TSE 2026: Nunes Marques detalha dupla checagem de urnas para eleições

O cenário político-eleitoral brasileiro ganha um novo capítulo com a posse do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira, 12 de maio de 2026. O magistrado, que em fevereiro atuou como relator das resoluções que definem as regras para as próximas eleições, assume o comando da Justiça Eleitoral com a missão de garantir a lisura e a transparência do pleito, especialmente através do reforço nos procedimentos de fiscalização das urnas eletrônicas.

As diretrizes estabelecidas para 2026 prometem aprimorar a confiança no sistema, detalhando a prática da dupla checagem das urnas. Essa medida, embora já presente em eleições anteriores, foi agora formalizada com um passo a passo mais claro, convidando eleitores a participarem ativamente da verificação, desde o início até o encerramento da votação.

Aprimoramento da checagem das urnas: o que muda em 2026

As resoluções eleitorais de 2026 trazem um detalhamento inédito sobre a dupla checagem das urnas, um procedimento crucial para atestar a integridade do processo de votação. A iniciativa visa formalizar e dar maior visibilidade a uma prática já conhecida, garantindo que os eleitores tenham um papel mais ativo na fiscalização.

No início do pleito, os dois primeiros eleitores de cada seção serão convidados a acompanhar a emissão da Zerésima. Este documento impresso comprova que a urna eletrônica não registrava nenhum voto antes do início da votação. As novas regras permitem que os eleitores participem ativamente do processo de registro, e qualquer recusa em fiscalizar deverá ser devidamente registrada em ata, reforçando a seriedade do procedimento.

Transparência em foco: zerésima e boletim de urna

A transparência se estende ao final da votação, quando os dois últimos eleitores de cada seção são chamados para testemunhar o encerramento. Eles terão acesso a uma via do Boletim de Urna, um documento que detalha a apuração automática e a soma dos votos para cada candidato naquela seção específica. Essa medida busca dissipar dúvidas e fornecer um registro tangível dos resultados.

Embora a divulgação pública da Zerésima e do Boletim de Urna já fosse uma prática em pleitos anteriores, incluindo as eleições de 2022, a grande novidade para 2026 é o detalhamento do passo a passo que permite a participação direta dos eleitores. Essa formalização visa aumentar a confiança pública e a percepção de segurança no sistema eleitoral.

O histórico de questionamentos e a busca por confiança

As eleições gerais de 2022 foram marcadas por intensas campanhas que levantaram dúvidas sobre a segurança e a confiabilidade das urnas eletrônicas. Esse cenário culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo TSE em 2023, por abuso de poder político, devido a alegações infundadas sobre o sistema de votação.

Em 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) também reconheceu a existência de uma campanha de descrédito contra a Justiça Eleitoral e as urnas, com o objetivo de fomentar uma ruptura institucional. Diante desse histórico, as novas regras de dupla checagem propostas por Nunes Marques são um esforço direto para fortalecer a credibilidade do processo eleitoral e reafirmar a segurança das urnas.

Nova composição do TSE: liderança para as eleições

Com a posse de Nunes Marques na presidência, o TSE se prepara para as eleições gerais de 2026 com uma nova composição. O ministro André Mendonça assume a vice-presidência, formando a dupla de liderança para o próximo pleito. A nova formação busca trazer estabilidade e expertise para a condução dos trabalhos eleitorais.

A composição completa do TSE para o período é a seguinte:

  • Nunes Marques (STF), na presidência;
  • André Mendonça (STF), na vice-presidência;
  • Dias Toffoli (STF);
  • Antonio Carlos Ferreira (STJ), corregedor-geral da Justiça Eleitoral;
  • Ricardo Villas Bôas Cueva (STJ);
  • Floriano de Azevedo Marques (advocacia);
  • Estela Aranha (advocacia).

Nunes Marques sucede a ministra Cármen Lúcia, que esteve à frente do TSE desde junho de 2024, dando continuidade ao ciclo de renovação na cúpula da Justiça Eleitoral.

Perfil do ministro Nunes Marques: trajetória e desafios

O ministro Nunes Marques, conhecido por seu perfil discreto, foi nomeado para o Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em outubro de 2020, em meio à pandemia de covid-19. Sua indicação preencheu a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Celso de Mello. Antes de chegar ao STF, Marques atuava como juiz de 2º grau no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), onde construiu uma sólida interlocução com figuras políticas e ministros de tribunais superiores.

Agora, à frente do TSE, Nunes Marques enfrenta o desafio de conduzir as eleições de 2026, implementando as novas regras de transparência e garantindo a confiança da população no sistema eleitoral brasileiro, em um contexto ainda sensível a questionamentos.

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