Alexandre de Moraes é relator de ações que contestam a Lei da Dosimetria no STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado como relator de duas ações cruciais que tramitam na Corte e questionam a validade da recém-aprovada Lei da Dosimetria. A legislação, que permite a redução de penas para condenados por crimes contra a democracia, especialmente os relacionados aos atos extremistas de 8 de janeiro de 2023, gerou intensa controvérsia e pode ter impacto significativo em processos de grande repercussão, incluindo o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A decisão de Moraes marca o início de um rito processual acelerado para analisar a constitucionalidade da lei. A expectativa é que o tema mobilize debates acalorados no cenário jurídico e político brasileiro, dada a sensibilidade dos crimes envolvidos e o potencial de alteração nas sentenças já proferidas ou em andamento.
A controvérsia da Lei da Dosimetria e seu percurso no Congresso
A Lei da Dosimetria, que agora está sob o escrutínio do STF, foi aprovada pelo Congresso Nacional após um processo legislativo conturbado. Originalmente, o projeto havia sido vetado integralmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em janeiro, sob o argumento de que a medida poderia fragilizar a punição de crimes contra o Estado Democrático de Direito.
No entanto, na semana passada, o Congresso derrubou os vetos presidenciais, garantindo a promulgação do texto. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), foi o responsável por promulgar a lei na sexta-feira, 8 de maio de 2026, oficializando sua entrada em vigor e abrindo caminho para os questionamentos no Supremo. A legislação é vista por críticos como um retrocesso na punição de atos antidemocráticos, enquanto defensores argumentam que ela busca uma aplicação mais justa da pena.
Os questionamentos no Supremo Tribunal Federal
As ações que agora estão sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes foram apresentadas por duas entidades de peso: a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e a federação Psol-Rede. Ambas as petições solicitam a suspensão imediata da lei até que o julgamento de mérito seja concluído pelo STF, além de pedirem que a Corte declare a inconstitucionalidade de trechos específicos da legislação.
A ação da ABI, em particular, foca em pontos que considera críticos para a integridade do sistema jurídico e a punição de crimes contra a democracia. Entre os principais questionamentos estão:
- A permissão para que crimes contra a democracia “inseridos no mesmo contexto” não tenham as penas somadas, o que poderia resultar em sentenças mais brandas.
- A possibilidade de redução de pena para delitos praticados em contexto de multidão, um aspecto que levanta preocupações sobre a responsabilização individual em atos coletivos.
- Dois incisos que alteram a progressão de regime prevista na Lei de Execução Penal, potencialmente flexibilizando as regras para a progressão de condenados.
Esses pontos são considerados centrais para a discussão sobre a eficácia da lei em coibir e punir atos que atentem contra as instituições democráticas do país.
Próximos passos e rito processual
Com a designação de Moraes como relator, o processo ganhou celeridade. O ministro já determinou um prazo de cinco dias para que a Presidência da República e o Congresso Nacional enviem informações detalhadas sobre a lei. Após o recebimento desses dados, a Procuradoria Geral da República (PGR) e a Advocacia Geral da União (AGU) terão três dias para se manifestarem sobre os processos, apresentando seus pareceres técnicos e jurídicos. A íntegra da decisão de Moraes pode ser acessada aqui.
Este rito processual rápido demonstra a urgência e a relevância que o STF atribui ao tema, que tem o potencial de redefinir a aplicação da justiça em casos de crimes contra a democracia no Brasil. Acompanhe os desdobramentos dessa importante discussão no Supremo Tribunal Federal.
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