Falsidade ideológica: presidente do Conselho do São Paulo é alvo de inquérito policial
A Polícia Civil de São Paulo instaurou, na última sexta-feira (8 de maio de 2026), um inquérito para investigar a suposta prática de falsidade ideológica por parte de Olten Ayres, atual presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube. A informação foi divulgada inicialmente por Bruno Giufrida e Ulisses Lopreste, em reportagem do GE.
falsidade: cenário e impactos
A investigação, sob a condução do delegado Tiago Fernando Correia, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), tem como objetivo central esclarecer se documentos institucionais do clube foram manipulados. A suspeita é que tais ações teriam sido realizadas para acelerar processos políticos internos, gerando um cenário de incerteza e questionamento sobre a lisura dos procedimentos.
A Origem da Denúncia e o Relatório da Comissão de Ética
O procedimento policial que culminou na abertura do inquérito teve sua origem em uma representação formal da própria Comissão de Ética do São Paulo Futebol Clube. Em um relatório detalhado, concluído em 29 de abril, o colegiado apontou indícios robustos de irregularidades criminais.
Diante das constatações, a Comissão de Ética determinou o envio de todo o material apurado às autoridades competentes, sinalizando a gravidade das suspeitas e a necessidade de uma investigação aprofundada por parte da Polícia Civil. Este passo demonstra a seriedade com que as questões de governança e transparência são tratadas dentro da instituição.
O Parecer Contestado e a Reforma Estatutária
O foco principal do inquérito policial recai sobre um parecer específico, datado de 17 de dezembro de 2025. Este documento foi assinado por José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Gandra Martins, que ocupavam, respectivamente, os cargos de presidente e secretário do Conselho Consultivo à época.
A suspeita levantada é que o texto desse parecer teria sido entregue já redigido por Olten Ayres aos signatários, com o objetivo exclusivo de coletar as assinaturas, sem que houvesse qualquer deliberação ou debate real por parte do órgão. Tal prática, se confirmada, configuraria uma grave falha nos ritos democráticos e de governança do clube, impactando diretamente a validade das decisões tomadas.
Naquele período, o presidente da diretoria executiva, Julio Casares, havia iniciado um processo de reforma estatutária ambicioso. As propostas previam mudanças estruturais significativas no clube, incluindo a flexibilização do quórum necessário para a criação de uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol) e a separação administrativa entre o departamento de futebol e o clube social.
Para que a reforma pudesse avançar ao Conselho Deliberativo, era mandatório o rito de consulta prévia ao Conselho Consultivo. A investigação sugere que Olten Ayres teria viabilizado o andamento da proposta ao apresentar o documento de “irrestrito endosso”, que, conforme depoimentos posteriores, não refletia a vontade coletiva do colegiado, uma vez que não houve reunião formal para o debate e aprovação.
Conflitos Internos e o Posicionamento do Presidente
A fundamentação apresentada pela Comissão de Ética para a denúncia inclui um e-mail do renomado jurista Ives Gandra Martins. No e-mail, ele admite que o relatório favorável à reforma estatutária baseou-se em conversas isoladas e que a redação final do documento teria sido elaborada por um advogado do clube, e não pelos membros do conselho, como deveria ter ocorrido.
O conflito político interno escalou em abril, quando Olten Ayres invalidou um parecer contrário à reforma, emitido pela Comissão Legislativa. A justificativa apresentada por ele foi que o órgão havia extrapolado o prazo regimental de 30 dias para manifestação, o que adicionou mais uma camada de tensão à já complexa situação.
É importante ressaltar que este inquérito não possui relação direta com a força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Civil que investiga outros três casos na gestão de Julio Casares, envolvendo suspeitas de lavagem de capitais, exploração irregular de camarotes e corrupção no departamento social do clube.
Próximos Passos e a Defesa de Olten Ayres
A situação de Olten Ayres deverá ser submetida ao plenário do Conselho Deliberativo na próxima terça-feira. Neste dia, os conselheiros terão a responsabilidade de votar seu afastamento preventivo do cargo, uma medida que pode ter implicações significativas para a governança do São Paulo Futebol Clube.
De acordo com a reportagem do GE, a defesa de Olten Ayres afirmou estar à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários aos órgãos competentes. Em nota oficial, o presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube, Olten Ayres de Abreu Júnior, esclareceu sua posição:
“O Presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube, Olten Ayres de Abreu Júnior, esclarece que, até o presente momento, não recebeu qualquer notificação formal acerca da abertura de procedimento ou apuração relacionada à sua gestão à frente do órgão. Ainda assim, diante das informações veiculadas pela imprensa, recebe o tema com serenidade e reafirma que todos os seus atos sempre foram pautados pela legalidade, pela transparência, pela ética e pelo absoluto compromisso com o interesse institucional do São Paulo Futebol Clube. Não houve prática irregular, ocultação de informações, desvio de finalidade ou obtenção de qualquer benefício pessoal. As medidas adotadas pela Presidência do Conselho sempre tiveram caráter público, administrativo e institucional, voltadas exclusivamente à organização dos trabalhos e ao funcionamento regular do órgão. A Presidência permanece, como sempre esteve, à disposição das instâncias competentes para prestar os esclarecimentos necessários, tão logo seja formalmente comunicada, reiterando seu compromisso com a governança, a transparência e a independência do Conselho Deliberativo.”
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