Brasileiros clamam por vida além do trabalho: 68% apoiam fim da escala 6×1
O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil ganha novos contornos com a divulgação de uma pesquisa Genial/Quaest que revela um amplo apoio popular ao fim da escala 6×1. O levantamento, que ouviu milhares de brasileiros, aponta que a maioria da população deseja um modelo de trabalho que proporcione mais equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, um tema que ressoa com as discussões em andamento no Congresso Nacional.
A escala 6×1, caracterizada por seis dias de trabalho e apenas um de descanso, tem sido alvo de crescentes questionamentos sobre seu impacto na qualidade de vida dos trabalhadores. A pesquisa da Quaest oferece um panorama claro da opinião pública, reforçando a pressão por mudanças legislativas que busquem modernizar as relações de trabalho no país.
O Cenário Atual da Escala 6×1 no Brasil
De acordo com a pesquisa Genial/Quaest, 68% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1. O modelo, que exige que o trabalhador atue por seis dias consecutivos antes de ter um dia de folga, é visto por muitos como um obstáculo à conciliação entre as demandas profissionais e a necessidade de tempo para lazer, família e desenvolvimento pessoal. O estudo, realizado com 2.004 pessoas acima de 16 anos em todas as regiões do país entre os dias 8 e 11 de maio, oferece um retrato atual da percepção nacional sobre o tema.
Apesar do apoio majoritário, o levantamento também registrou que 22% dos entrevistados se manifestaram contra a mudança na jornada, enquanto 7% não souberam ou preferiram não opinar. É importante notar que, em dezembro de 2025, o apoio à proposta era ainda maior, alcançando 72%, indicando uma leve, mas perceptível, oscilação na opinião pública ao longo dos meses.
O Debate no Congresso: PECs em Análise
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho não se limita à esfera pública; ela já está em pauta no Congresso Nacional. Uma comissão especial da Câmara dos Deputados está analisando Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que visam alterar o atual regime. As PECs, apresentadas pelos deputados Erika Hilton e Reginaldo Lopes, propõem a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas.
Além da diminuição da carga horária, os textos em debate preveem a garantia de dois dias de descanso remunerado por semana e a proibição expressa de qualquer redução salarial decorrente da transição para o novo modelo. O relatório final do deputado Leo Prates sobre o tema está previsto para ser apresentado nesta quarta-feira, um passo crucial para o avanço da proposta. A alteração no artigo 7º da Constituição Federal busca estabelecer uma jornada máxima de oito horas diárias e 40 semanais, com um dos dias de repouso preferencialmente aos domingos.
Impacto e Percepção Pública sobre a Mudança
A pesquisa Quaest também revelou nuances importantes na percepção sobre a mudança da jornada. Houve uma redução no apoio à proposta entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em dezembro, 92% dos eleitores de Lula apoiavam o fim da escala 6×1, percentual que agora caiu para 76%. Por outro lado, entre os eleitores de esquerda não alinhados ao lulismo, o apoio manteve-se estável, em torno de 88%.
Um fator determinante na opinião pública é a questão salarial. Quando os entrevistados foram questionados sobre a possibilidade de redução da jornada de trabalho com um eventual corte nos salários, o apoio à proposta caiu significativamente para 60%. Nesse cenário, 39% dos participantes se declararam contra a medida, evidenciando que a manutenção do poder de compra é uma preocupação central para os trabalhadores brasileiros ao considerar qualquer alteração em suas condições de emprego. A garantia de que não haverá redução salarial é, portanto, um pilar fundamental para a aceitação da reforma. Para mais detalhes sobre a pesquisa, você pode consultar fontes confiáveis como a CNN Brasil.
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