Confederação do Transporte defende transição gradual para nova jornada e alerta sobre impactos

A Confederação Nacional do Transporte (CNT), por meio de seu presidente Vander Costa, defendeu nesta segunda-feira (18.mai.2026) uma transição progressiva para a redução da jornada máxima de trabalho. A proposta surge em meio ao debate na Câmara sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa alterar a escala 6×1, estabelecendo uma nova configuração para o regime de trabalho no país.

Costa sugeriu que, caso a PEC seja aprovada, a redução da jornada ocorra de forma gradual, com uma hora a menos por ano ao longo de quatro anos. Segundo o dirigente, essa medida é crucial para que as empresas do setor de transporte possam absorver os custos decorrentes da mudança sem a necessidade de repassá-los para a cadeia de produtos, evitando assim um impacto negativo na economia.

Proposta de transição para a jornada de trabalho

A discussão central na Câmara dos Deputados gira em torno de uma PEC que propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso e sem perdas salariais para os trabalhadores. A CNT, no entanto, argumenta que uma implementação abrupta dessa mudança poderia gerar desequilíbrios significativos para o setor de transporte.

Vander Costa enfatizou a necessidade de um período de adaptação. “Aprovando a PEC, que tenha um período de transição. Se por acaso a gente for fazer uma transição de uma hora por ano, durante 4 anos, a gente vai fazer com que as empresas tenham mais capacidade de absorver esse custo sem passar para preço”, declarou o presidente da CNT durante sua participação na comissão que debate o projeto.

Impactos econômicos e o alerta da CNT

A Confederação Nacional do Transporte alerta para os potenciais impactos econômicos de uma redução imediata da jornada. A entidade argumenta que o setor de transporte opera com margens de lucro muito reduzidas, geralmente de um único dígito. Qualquer aumento nos custos operacionais, seja pela necessidade de contratação de mais funcionários ou pelo pagamento de horas extras, seria inevitavelmente repassado ao preço final dos produtos.

“O nosso setor trabalha com margem muito pequena. Os lucros das empresas são todos de um dígito só. Se eu tiver que aumentar a quantidade de trabalhadores ou tiver que pagar mais hora extra, isso vai implicar em aumento de preço”, afirmou Costa. Essa elevação de preços, segundo a análise da CNT, poderia alimentar a inflação e reduzir o poder de compra da população, gerando um efeito cascata na economia.

Cenário de mercado e a escassez de mão de obra

Outro ponto levantado pela CNT é o cenário atual do mercado de trabalho brasileiro. O presidente da confederação estima que a aprovação da PEC, sem um período de transição, exigiria a contratação de aproximadamente 250 mil novos trabalhadores para o setor de transporte de cargas. Tal demanda, segundo ele, ocorre em um momento de “pleno emprego” e escassez de mão de obra qualificada.

Costa relembrou que a PEC foi proposta em 2019, um período de alto desemprego, contrastando com a conjuntura atual do país. Ele também destacou os desafios para o transporte urbano, que opera sete dias por semana e já enfrenta dificuldades na contratação de motoristas. “Hoje está faltando motoristas para poder dirigir ônibus e caminhões e se eu reduzir a jornada eu vou ter necessidade de ter mais motoristas”, pontuou.

Posicionamento de outras confederações

O posicionamento da CNT alinha-se aos discursos de outras importantes entidades empresariais. Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) também se manifestaram contra a PEC durante a audiência. Ambas as confederações defendem que a negociação coletiva por setor seria o caminho mais viável para abordar questões relacionadas à jornada de trabalho, em vez de uma alteração legislativa ampla.

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