Copa 2026: estudo prevê churrasco de frango e bebidas leves com novos hábitos de consumo

A euforia que tradicionalmente toma conta do Brasil durante a Copa do Mundo, impulsionando a demanda por produtos no varejo alimentar, deve apresentar uma nova faceta em 2026. Um estudo recente aponta para um evento mais alinhado à austeridade e à incorporação de hábitos de consumo repensados pelos brasileiros.

A expectativa é de que o tradicional churrasco bovino ceda espaço ao frango, enquanto petiscos preparados em air fryer ganham popularidade. Além disso, a preferência por cervejas sem álcool e refrigerantes sem açúcar deve se consolidar, refletindo tendências de mercado e a busca por opções mais econômicas.

Novos hábitos moldam o consumo na Copa 2026

Este prognóstico é da Scanntech Brasil, especialista em inteligência de dados e tecnologia para o varejo. A consultoria realizou um estudo comparando o consumo no varejo alimentar durante os jogos do Brasil em grandes eventos de futebol recentes, como a Copa do Mundo de 2022, o Mundial de Clubes e a Libertadores, com a demanda nas 12 semanas anteriores às partidas. Os resultados indicam um aumento expressivo de 24% nas vendas em dias de véspera de jogo.

Thomaz Machado, CEO da Scanntech Brasil, ressalta a relevância de um evento capaz de impulsionar o consumo nessa proporção, especialmente após trimestres desafiadores para o varejo. Ele observa que, mesmo com o ânimo da Copa, o consumidor brasileiro continua buscando formas de otimizar o orçamento, o que se traduz em novas escolhas e na crescente procura por embalagens tamanho família, ideais para o consumo em grupo.

Frango e air fryer substituem cortes bovinos no churrasco

Apesar do crescimento geral na compra de carnes durante a Copa, a consultoria prevê uma manutenção da alta demanda por cortes de frango. O custo, em média, 44% menor que o da carne bovina, é um fator decisivo. Em 2025, a cada 950 gramas de frango, o consumidor adquiriu 586 gramas de carne bovina, evidenciando a substituição.

Outra tendência notável é o aumento da procura por petiscos de air fryer, inclusive com a aquisição do próprio equipamento. Essa alternativa se mostra mais econômica e prática em comparação ao churrasco tradicional, alinhando-se à busca por opções que caibam no bolso do consumidor.

Bebidas leves e planejamento antecipado no varejo

Em comparação com a Copa de 2022, a edição de 2026 deve consolidar o aumento do consumo de cerveja zero álcool e refrigerantes sem açúcar. Essa é uma tendência de mercado observada nos últimos anos, que se mantém em ascensão e reflete uma preocupação crescente com a saúde e o bem-estar, aliada à economia.

No varejo alimentar, o pico de consumo ocorre nas vésperas dos jogos, quando os consumidores abastecem suas despensas. Fábio Iwamoto, diretor da rede Chama Supermercados, destaca a importância de os varejistas serem assertivos nas promoções, considerando os custos elevados dos juros. As lojas se preparam com ofertas e maior volume de produtos como cervejas, refrigerantes, sucos, itens de churrasco, pipoca de micro-ondas, petiscos congelados e salgadinhos, muitas vezes em parceria com a indústria.

Expectativas positivas para o comércio e o marketing

A expectativa é que as vendas nos supermercados sejam ainda mais favorecidas em 2026, já que o torneio retorna ao seu período tradicional, entre junho e julho. A Copa do Catar, realizada no final do ano devido às altas temperaturas, teve um impacto diferente. Erlon Ortega, presidente da Apas (Associação Paulista de Supermercados), vê com otimismo o cenário, salientando que os jogos à noite favorecem as reuniões familiares e entre amigos. Ele também reconhece que a elevação dos preços da carne bovina pode impulsionar a substituição por frango e porco.

O evento também movimenta outros setores, como o de produtos de limpeza. Ana Beatriz Guerra, executiva de marketing da fabricante Reckitt, revela que é a primeira vez que a empresa associa uma promoção à Copa, visando movimentar a categoria em um período de aumento do consumo no varejo alimentar. O investimento em marketing para a Copa é robusto, com um aporte estimado em R$ 5,5 bilhões em campanhas que utilizam o tema do mundial, representando 20% do total investido em 2025. Desse montante, R$ 4,2 bilhões provêm das cotas oficiais de patrocínio, segundo Luiz Lara, presidente do conselho do Cenp.

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