São Paulo registra aumento de 2,8°C em 125 anos e enfrenta desafio das ilhas de calor
A cidade de São Paulo tem vivenciado um aumento nas temperaturas mínima e máxima do ar que supera significativamente a média global nos últimos 125 anos. Enquanto o planeta e a superfície terrestre aqueceram, respectivamente, 1,2 °C e 2 °C desde 1900, a capital paulista registrou elevações ainda mais expressivas: a temperatura máxima diária subiu 2,4 °C e a mínima diária, um alarmante 2,8 °C.
Esses dados, apresentados pelo professor Humberto Ribeiro da Rocha, do IAG-USP (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo), são baseados em informações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). As observações foram detalhadas durante o encontro “Eventos extremos de calor e água: Mitigando os efeitos adversos das mudanças climáticas na saúde das cidades”, promovido pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e pela NWO (Organização Neerlandesa para Pesquisa Científica) em 7 de maio de 2026.
O aquecimento alarmante em São Paulo e seus dados
A análise do professor Rocha e de sua equipe, que inclui os pesquisadores Miguel de Carvalho Diaféria, Rodrigo Lustosa, Ana Nogueira Campelo e Denise Duarte, aponta que as disparidades térmicas na cidade de São Paulo estão diretamente ligadas ao fenômeno das ilhas de calor urbanas. Este efeito é uma das principais causas para o aquecimento acelerado observado na metrópole.
Os estudos foram conduzidos no Centro para Segurança Hídrica e Alimentar em Zonas Críticas e revelam uma realidade preocupante. A temperatura mínima diária, tipicamente registrada às 6h, e a máxima diária, por volta das 13h, indicam que o calor se mantém elevado por períodos mais longos, impactando diretamente a qualidade de vida dos moradores.
Ilhas de calor urbanas: o fenômeno e seus impactos
As ilhas de calor urbanas são áreas densamente construídas que apresentam temperaturas significativamente mais altas. Este fenômeno ocorre devido à substituição da cobertura vegetal por materiais como asfalto, concreto e alvenaria, que absorvem e retêm mais calor solar.
Em uma pesquisa recente, os cientistas investigaram a relação entre as ilhas de calor e a cobertura de vegetação em 70 cidades do Estado de São Paulo. Utilizando dados de temperatura da superfície terrestre coletados entre 2013 e 2025 por satélites do programa Landsat da Nasa, os resultados foram alarmantes. Áreas urbanizadas mais críticas da Grande São Paulo atingem até 60 °C no verão, uma marca comparável a grandes galpões industriais. Em contraste, regiões com maior cobertura vegetal e corpos d’água registram, no máximo, 25 °C.
As análises, que estão em processo de publicação, também revelaram que a temperatura nas áreas urbanizadas mais quentes da região foi, em média, entre 7 °C e 12 °C superior à das áreas mais frias durante o verão. O professor Rocha destacou que as ilhas de calor não se restringem às grandes cidades, sendo observadas de forma consolidada também em municípios menores e em regiões com cultivo em larga escala de cana-de-açúcar.
Noites quentes e o desafio do bem-estar dos paulistanos
A equipe de pesquisadores intensificou a medição da temperatura do ar na região metropolitana de São Paulo para compreender os efeitos das ondas de calor em escala regional e local, incluindo ruas e residências. Este levantamento é parte de um novo projeto com apoio do CCD e do projeto municipal Sampa Adapta, coordenado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo.
A pesquisa utilizou dados de 25 estações meteorológicas instaladas em ruas, residências e escolas, além de dezenas de outras mantidas pelo CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas). Os resultados indicam que ondas de calor intensas têm ocorrido nas tardes metropolitanas nos últimos 15 anos, com temperaturas variando entre 30 °C e 34 °C. À noite, por volta das 22h, a temperatura do ar chega a 28 °C, um dado considerado crítico para o descanso.
Nessas condições, a sensação térmica no interior das casas é ainda mais intensa, especialmente após sucessivas noites com temperaturas próximas a 30 °C. Rocha comparou muitas edificações a “pequenos fornos aquecidos que retiveram o calor” devido à falta de isolamento térmico adequado, comprometendo o sono e a saúde dos moradores.
Soluções baseadas na natureza para um futuro mais fresco
Diante do cenário de aquecimento, a implementação de soluções baseadas na natureza surge como um caminho promissor para o resfriamento do ar em escala local. A análise de dados de estações meteorológicas pelo CCD demonstrou a eficácia da cobertura vegetal em experimentos urbanos na Grande São Paulo.
Os resultados confirmaram o “efeito oásis”, que proporcionou um resfriamento local pronunciado de até 7 °C em comparação com as ruas urbanizadas. O pesquisador enfatizou que a revegetação urbana na região metropolitana e no Estado de São Paulo representa uma oportunidade não apenas potencial, mas também viável para mitigar o calor extremo.
Cooperação internacional e a urgência climática global
O evento em 7 de maio de 2026 também celebrou mais de uma década de cooperação entre a Fapesp e a NWO, reforçando a importância da pesquisa conjunta em temas climáticos. O presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, destacou que os Países Baixos estão entre os dez principais colaboradores científicos de São Paulo, com projetos de alta qualidade e impacto.
Representantes da NWO, oficial de políticas e também da NWO, expressaram satisfação com a sinergia e a colaboração em cinco projetos selecionados para os próximos cinco anos. A parceria será fortalecida com a Fapesp Week, que ocorrerá nos Países Baixos em outubro de 2027. Raul Machado, gerente de Relações Institucionais da Fapesp, reforçou o objetivo de multiplicar os resultados e as parcerias entre pesquisadores brasileiros e neerlandeses.
A urgência da situação foi sublinhada por Thelma Krug, ex-vice-presidente do IPCC, que alertou para a necessidade de preparar as cidades para cenários que podem ultrapassar o aquecimento de 1,5 °C ainda neste século. A colaboração científica e a busca por soluções inovadoras são cruciais para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
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