PCDF indicia pais de ex-alunos por ataques de intolerância religiosa em escola do DF
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) indiciou três pais de ex-alunos do Centro de Ensino Fundamental 1 (CEF 1) do Varjão por crimes de intolerância religiosa. A investigação, conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin), revelou uma série de ataques a religiões de matriz africana, disseminados em um grupo de pais de alunos da instituição de ensino.
O caso, que acende um alerta sobre a crescente onda de discriminação, teve início com a divulgação de um vídeo e áudios ofensivos. As ações dos indiciados não apenas violam a legislação vigente, mas também expõem a urgência de um debate mais aprofundado sobre o respeito à diversidade religiosa no ambiente escolar e na sociedade.
Investigação da PCDF e o indiciamento por intolerância religiosa
A Decrin agiu após a repercussão de um vídeo gravado em frente ao CEF 1 do Varjão. Nele, a mãe de um ex-aluno da unidade escolar criticava abertamente uma atividade cultural promovida pela escola e atacava o professor responsável. Além do vídeo, áudios com manifestações explícitas de intolerância e ofensas contra religiões de matriz africana foram compartilhados no mesmo grupo de pais, intensificando a gravidade da situação.
A delegada-chefe da Decrin, Ângela Santos, confirmou o indiciamento de uma mulher de 48 anos e dois homens, de 52 e 60 anos, todos pais de ex-alunos. Eles foram enquadrados por discriminação religiosa, crime previsto na Lei do Racismo (Lei nº 7.716/89). A disseminação das ofensas em rede social é um agravante, podendo elevar a pena para até cinco anos de reclusão, caso haja condenação.
Crescimento alarmante dos crimes de discriminação no Distrito Federal
O incidente no Varjão reflete uma tendência preocupante observada pela PCDF: o aumento significativo dos registros de crimes de preconceito no Distrito Federal nos últimos dez anos. A intolerância religiosa, em particular, tem sido um foco de atenção para as forças de segurança, com números que demonstram uma escalada alarmante.
Em 2017, foram registradas 16 ocorrências de discriminação religiosa. Esse número saltou para 73 boletins em 2025, representando um aumento de 356%. Os dados, solicitados pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação (LAI), abrangem o período de 2017 a março de 2026 e evidenciam a persistência do problema.
A escalada dos números e a urgência do debate
Os primeiros meses de 2026 já indicam que a tendência de alta se mantém. Entre janeiro e março, a PCDF contabilizou 20 ocorrências de discriminação religiosa, superando os totais anuais de 2017 (16 casos), 2018 (13), 2019 (10) e 2020 (8). Esses números reforçam a necessidade de ações preventivas e educativas mais eficazes.
Além da discriminação religiosa, outros crimes de preconceito também mostram crescimento. Os casos de injúria racial, por exemplo, mais que dobraram, passando de 431 ocorrências em 2017 para 870 em 2025, um aumento de 101,8%. O levantamento completo da PCDF inclui ainda injúria preconceituosa por sexo ou gênero e discriminação por orientação sexual, com alta em quase todos os delitos.
A sociedade precisa reafirmar seu compromisso com a tolerância e o respeito às diversas manifestações de fé, garantindo que ambientes como as escolas sejam espaços de aprendizado e convivência pacífica, livres de qualquer forma de preconceito.
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