Sabesp segurança: novos protocolos e monitoramento 24h transformam obras

A Sabesp, empresa responsável pelo saneamento básico em diversas cidades, anuncia um plano de ação robusto para elevar os padrões de segurança em suas obras. Com o objetivo de minimizar impactos na rotina urbana e garantir a integridade de colaboradores e comunidades, a companhia adota, a partir deste mês, regras ainda mais rigorosas do que as exigidas pelas normas técnicas brasileiras e legislações vigentes.

A iniciativa surge em um contexto de expansão sem precedentes, com 1.200 frentes de obra em andamento — um aumento de cinco vezes em relação ao período anterior à desestatização em 2024. Esses trabalhos são cruciais para levar água, coleta e tratamento de esgoto a locais historicamente desassistidos, além de investir na resiliência hídrica e na modernização de redes subterrâneas e equipamentos antigos. Contudo, essa intensa atividade gera cerca de 18.000 reparos mensais e, infelizmente, impactos como desvios de trânsito, ruídos e acidentes. O presidente da Sabesp, Carlos Piani, enfatiza a intolerância a tais ocorrências, afirmando que a empresa está aperfeiçoando seus protocolos para agir de forma mais cirúrgica, com máximo cuidado com a vida e o bem-estar.

O novo plano de ação da Sabesp se estrutura em três pilares fundamentais: o reforço nos protocolos de engenharia e segurança, a intensificação da fiscalização e monitoramento, e a ampliação do programa de treinamento, capacitação e certificação. Essa reestruturação foi impulsionada pela necessidade de ir além das exigências normativas, após o acidente do Jaguaré, buscando novas camadas de controle e prevenção.

Sabesp segurança: investimentos e fiscalização em larga escala

Para garantir a eficácia das novas medidas, a Sabesp está triplicando seus investimentos em fiscalização e prevenção. O número de fiscais em campo passará de 200 para 600, focando em obras de maior risco e complexidade, especialmente aquelas próximas a redes de gás, intervenções não destrutivas e valas abertas com mais de dois metros de profundidade.

A tecnologia também desempenha um papel central nesse aprimoramento. Até o fim de 2026, todas as obras da Sabesp serão monitoradas 24 horas por dia a partir de um Centro de Monitoramento e Controle. Este centro utilizará câmeras com inteligência artificial e terá acesso a todos os cadastros de redes subterrâneas, tanto da Sabesp quanto de outras concessionárias. O objetivo é ampliar a capacidade de monitoramento em tempo real, identificar rapidamente situações de risco e apoiar as equipes em campo na tomada de decisões.

A segurança dos mais de 50.000 colaboradores, diretos e indiretos, e das comunidades vizinhas às obras é uma prioridade absoluta. Em 2025, a companhia já havia intensificado as fiscalizações e aumentado em 23% os investimentos em programas de prevenção de acidentes em comparação com 2024. Para 2026, o investimento em fiscalização e prevenção terá um acréscimo de 150%, demonstrando o compromisso contínuo com a segurança.

Aprimoramento dos protocolos para obras de alto risco

Uma das mudanças mais significativas nos novos protocolos da Sabesp é a ampliação da “zona de atenção” para obras próximas a redes de gás. Essa faixa, utilizada no mapeamento e confirmação de interferências no subsolo, passa de 1 metro para 3 metros, superando as exigências das normas técnicas brasileiras. Essa medida será aplicada com rigor máximo em cerca de 60 obras, que representam 5% das frentes ativas no estado e utilizam o método de furo direcional perto dessas redes.

A expansão dessa faixa de verificação prévia visa tornar mais precisa a comprovação da posição das redes antes do projeto executivo e do início da perfuração, com visualização direta do subsolo para elevar a segurança e reduzir riscos. Além das análises de cadastros técnicos e da interlocução com concessionárias, a Sabesp ampliará as verificações em campo com mais sondagens e abertura de cavas para confirmação visual das redes de gás. O uso de georadar em toda a zona de atenção e a inclusão de tecnologia de detecção de gás nas frentes de trabalho tornam-se obrigatórios.

Os planos de contingência também foram fortalecidos, incluindo sistemas de alertas e medidas de evacuação em casos de suspeita de vazamento de gás. A capacitação e reciclagem periódica das equipes envolvidas na execução das obras são agora exigências fundamentais para garantir a conformidade com os novos padrões de segurança.

Qualificação e certificação para equipes e parceiros

A Sabesp está elevando os critérios para as empresas e profissionais que atuam em suas obras. O programa de treinamento, qualificação e certificação será ampliado e se tornará obrigatório tanto para os colaboradores da própria Sabesp quanto para os profissionais das empresas contratadas. O objetivo é assegurar um nível mais elevado de capacitação técnica, com comprovação de competência e alinhamento aos procedimentos operacionais e de segurança da companhia.

Roberval Tavares, diretor-executivo de Engenharia e Inovação da Sabesp, reforça que a empresa não contratará companhias que não atendam à certificação exigida para a execução desses serviços. Essa diretriz de “tolerância zero” com práticas inseguras visa garantir que as contratadas operem com equipes qualificadas, treinadas e alinhadas aos rigorosos padrões técnicos e operacionais da Sabesp.

Complementando essas ações, a Sabesp mantém programas como o “Parceiros para o Impacto”, que engaja as empresas contratadas na adoção de boas práticas socioambientais, na gestão de riscos e no reforço da segurança. O programa “Excelência em Segurança” também garante a conformidade das atividades realizadas em campo, monitorando a atuação dos fornecedores e o atendimento aos requisitos legais em todas as obras da companhia.

Ações regulatórias da Arsesp complementam Sabesp segurança

Em paralelo às iniciativas da Sabesp, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) iniciou, no dia 25 de maio, uma força-tarefa de fiscalização focada em obras realizadas em locais com tubulações de múltiplas concessionárias. A ação, com duração inicial de três meses, visa intensificar o acompanhamento técnico e regulatório de intervenções em vias públicas e áreas urbanas de maior complexidade operacional.

Entre as medidas anunciadas pela Arsesp estão o aprimoramento do Manual de Boas Práticas de Gestão Compartilhada de Obras e a criação de um grupo técnico permanente dedicado à prevenção de acidentes e ao aperfeiçoamento operacional. A agência também estabeleceu diretrizes e critérios operacionais imediatos para as concessionárias de saneamento e gás canalizado, visando a realização e retomada de intervenções conjuntas. Nas últimas semanas, a Sabesp, inclusive, paralisou as obras que dependiam de intervenção conjunta com as concessionárias de gás, aguardando a adequação aos novos padrões.

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