Reabertura gradual do Estreito de Ormuz em setembro pode aliviar mercado de petróleo, aponta Argus

O mercado global de petróleo mantém-se em alerta máximo diante dos desdobramentos no Oriente Médio, especialmente após recentes ataques dos Estados Unidos ao Irã e os sinais de avanço nas negociações. Em meio a essa volatilidade, a expectativa é que o Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial por onde transitava cerca de 20% do fluxo de petróleo mundial, comece a ser reaberto gradualmente a partir de setembro. Essa projeção é da analista de petróleo Martha Tallas, da Argus Media em Londres, trazendo um vislumbre de possível estabilização para o setor.

Apesar do otimismo cauteloso em relação à reabertura, os efeitos da disrupção no mercado de petróleo, conforme a análise da especialista, devem se estender por um período mais longo, com impactos que podem perdurar até 2027 e 2028 devido à significativa redução nas exportações. A situação atual exige atenção constante dos operadores e governos, que buscam estratégias para mitigar os riscos e garantir o abastecimento.

Cenário de Tensão e a Importância do Estreito de Ormuz

A recente escalada de tensões no Oriente Médio, marcada por novos ataques dos Estados Unidos ao Irã na quarta-feira (10), intensificou a preocupação com a segurança das rotas de transporte de petróleo. Embora o presidente americano tenha sinalizado o cancelamento de ataques adicionais em função do progresso nas negociações com Teerã, a instabilidade na região continua a ser um fator determinante para o mercado.

O Estreito de Ormuz é um gargalo estratégico, conectando o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Sua interrupção, mesmo que parcial, tem consequências diretas nos preços e na disponibilidade do petróleo. A visão de Martha Tallas é que o canal não apresentará sinais claros de reabertura antes do final de agosto, dada a complexidade do cenário geopolítico e a necessidade de garantias de segurança para a navegação.

Déficit no Mercado e Projeções de Preços

Atualmente, o mercado de petróleo enfrenta um déficit considerável de aproximadamente 14 milhões de barris por dia. A falta de progresso substancial nas negociações entre as partes envolvidas sugere que esse quadro de escassez deve persistir no futuro próximo, conforme a avaliação da Argus. Mesmo com o redirecionamento de parte do petróleo para exportação a partir de portos alternativos, como Yanbu, na Arábia Saudita, e Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, volumes significativos permanecem fora do mercado global.

A especialista Martha Tallas projeta que, assumindo uma reabertura gradual do Estreito de Ormuz para embarcações em setembro e a restauração progressiva do tráfego, as exportações de petróleo só retornariam aos níveis pré-guerra de janeiro em março de 2027. Diante desse cenário, a Argus elevou sua previsão para o barril de petróleo da referência North Sea Dated de US$ 95 para uma média de US$ 120 no terceiro trimestre. Se o fluxo de exportações for restabelecido no quarto trimestre, os preços podem começar a recuar, com uma projeção de US$ 95 por barril no final do ano.

Impactos Duradouros e Reposição de Estoques Estratégicos

Apesar da expectativa de reabertura, os efeitos da disrupção no mercado de petróleo não se dissiparão rapidamente. Martha Tallas alerta que os impactos devem perdurar até 2027 e 2028, principalmente devido à redução acumulada nas exportações. Durante esse período, a demanda por petróleo e seus derivados estará elevada, à medida que o mercado busca repor os estoques utilizados ao longo deste ano.

Além disso, muitos países devem intensificar seus esforços para reforçar os estoques estratégicos de petróleo, visando maior segurança energética e resiliência a futuras interrupções. Essa corrida por reposição e reforço de reservas contribuirá para manter a demanda aquecida e os preços sob pressão nos próximos anos, mesmo com a normalização gradual das rotas de transporte.

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