Filme de Bolsonaro: produtora Go Up detalha R$ 75 milhões em gastos sob investigação
A produtora Go Up Entertainment, responsável pela aguardada cinebiografia “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarou um custo de US$ 13,3 milhões para a produção, o equivalente a pouco mais de R$ 75 milhões, conforme apurado pelo Metrópoles. A cifra vem à tona em um cenário de intensas investigações e controvérsias que cercam o financiamento filme Bolsonaro, que promete ser um dos lançamentos mais comentados do ano.
A revelação dos gastos, detalhada em uma perícia privada contratada pela própria Go Up e anexada a um processo judicial, adiciona mais um capítulo à complexa trama que envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB). Este instituto é investigado sob a suspeita de desviar recursos de um contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo, destinado ao programa Wi-Fi Livre, para subsidiar a produção cinematográfica.
Os Números do Financiamento do Filme de Bolsonaro
De acordo com a perícia, os R$ 75 milhões declarados pela Go Up Entertainment foram divididos entre gastos nos Estados Unidos, que somam R$ 54,2 milhões, e despesas no Brasil, que alcançam R$ 20,9 milhões. O filme, que tem previsão de lançamento para este ano, conta com um elenco internacional, incluindo o ator americano Jim Caviezel no papel principal de Bolsonaro, e foi gravado em diversas cidades brasileiras, como São Paulo.
É importante notar que o orçamento inicial aprovado para “Dark Horse” era de US$ 16 milhões, ou R$ 89,7 milhões. Esse valor, no entanto, é significativamente menor do que a quantia que teria sido negociada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em 2025, conforme reportagem do site The Intercept Brasil. A discrepância levanta questionamentos sobre a transparência e a real dimensão dos recursos envolvidos na produção.
Controvérsias e Negociações Milionárias
A investigação ganhou novos contornos com a divulgação de diálogos que indicam uma negociação de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para o patrocínio do filme. Em um áudio datado de 16 de novembro, o senador expressou preocupação com parcelas atrasadas do patrocínio, mencionando o risco de “dar calote” em atores renomados como Jim Caviezel.
Flávio Bolsonaro reconheceu a autenticidade do áudio, mas defendeu a legalidade dos pagamentos realizados por Vorcaro, afirmando que não houve contrapartidas ilícitas. O valor efetivamente pago pelo banqueiro, por meio da empresa Entrepay, foi de US$ 10,6 milhões, equivalente a R$ 61 milhões, um montante que também difere dos valores declarados pela produtora e do orçamento inicial.
A Teia de Investigações e a Origem dos Recursos
A representante do Instituto Conhecer Brasil (ICB), Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da Go Up Entertainment, foi alvo de uma operação da Polícia Civil em 1º de junho. O ICB está sob escrutínio por um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, levantando a suspeita de que parte desses recursos públicos possa ter sido desviada para o financiamento do filme.
A Polícia Federal (PF) também entrou em cena, investigando se o fundo Heavengate Development Fund LP, utilizado para a captação de recursos do filme, teria financiado a estadia do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos. O fundo tem como agente legal o escritório do advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo Bolsonaro, que reside no país desde fevereiro de 2025 e é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de articular sanções contra autoridades brasileiras.
A perícia da Go Up, por sua vez, afirma que os ingressos financeiros para o projeto “possuem origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”. No Brasil, a maior parte dos valores foi recebida via Pix, totalizando R$ 18,4 milhões, por meio de uma conta no Banco do Brasil.
Implicações e Desdobramentos Futuros
O caso se entrelaça ainda mais com a prisão de Daniel Vorcaro na Operação Compliance Zero, que investiga uma fraude bilionária no mercado financeiro envolvendo seu banco. A complexidade das transações e as diversas frentes de investigação – desde o desvio de verbas públicas até o financiamento de estadias no exterior – colocam o filme “Dark Horse” no centro de um debate que transcende a esfera cinematográfica.
Acompanharemos os desdobramentos dessas investigações, que prometem trazer mais clareza sobre a origem e o destino dos recursos que impulsionaram a produção da cinebiografia do ex-presidente.
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