Câncer de mama masculino: a importância do diagnóstico precoce e a realidade no Ceará

Quando o assunto é câncer de mama, a associação imediata costuma ser com o público feminino. Contudo, é fundamental desmistificar essa percepção: homens também podem desenvolver a doença, e a falta de conhecimento sobre essa possibilidade frequentemente leva a diagnósticos tardios. A conscientização sobre os fatores de risco, os sintomas e a necessidade de buscar atendimento médico é crucial para aumentar as chances de detecção precoce e garantir um tratamento eficaz.

No Ceará, o serviço de oncologia do Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), em Quixeramobim, unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), atende atualmente 11 pacientes do sexo masculino em tratamento contra o câncer de mama. Um desses casos é o do aposentado Edilson de Andrade Carneiro, de 68 anos, que descobriu a doença após uma alteração na região mamária, sem imaginar a gravidade da situação.

A Realidade do Câncer de Mama Masculino no Ceará

Edilson de Andrade Carneiro relata que a descoberta foi inesperada. “Eu não sentia dor de nada! Foi só um ‘carocim’ que foi crescendo e depois ele encolheu para dentro, sabe?”, conta. Os primeiros exames foram realizados em Fortaleza, mas com a inauguração do serviço de oncologia no HRSC, em julho de 2024, Edilson, residente em Boa Viagem, pôde continuar seu tratamento mais próximo de casa. “Não tem nem comparação, é muito bom porque é bem pertinho de casa!”, celebra.

Embora raro, o câncer de mama masculino representa uma parcela significativa dos casos de tumores mamários. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que cerca de 1% dos tumores de mama ocorrem em homens. Entre 2020 e 2025, estudos apontaram uma média de 230 mortes anuais de homens devido à doença, reforçando a necessidade de atenção e informação.

Edilson de Andrade confessa que demorou quase dois anos para procurar um médico após notar as alterações. “Eu não imaginava que fosse ter um câncer, justamente na minha mama, porque eu já sabia que era um tipo bem raro”, explica o aposentado. Essa hesitação, comum entre homens, é um dos maiores desafios para o diagnóstico precoce.

Sintomas e a Urgência do Diagnóstico

O médico oncologista do HRSC, Patrick Dhunor Vitorino, enfatiza que o tempo é um fator determinante no tratamento do câncer. Ele observa que muitos homens adiam a busca por atendimento médico, o que pode agravar o quadro. “Frequentemente, eles só buscam ajuda quando o problema já está mais avançado. E no câncer, o tempo faz muita diferença. Quanto mais cedo ocorre o diagnóstico, maiores são as possibilidades de tratamento e melhores resultados”, afirma o especialista.

A raridade do câncer de mama masculino significa que não existem programas de rastreamento específicos para a população masculina, como a mamografia de rotina para mulheres. Por isso, a atenção aos sinais iniciais é ainda mais crítica. O surgimento de nódulos na região da mama, aumento do volume mamário, alterações no mamilo, como retração, e a saída de secreção ou sangue são indicativos que exigem avaliação médica imediata.

“Na menor suspeita, o paciente deve procurar assistência médica. Esperar o problema aumentar pode dificultar o tratamento e comprometer o prognóstico”, reforça Patrick Dhunor Vitorino. A proatividade na busca por ajuda médica pode ser a chave para um desfecho positivo.

Desmistificando o Risco e a Importância da Autopercepção

Existe uma crença equivocada de que homens correm menos risco de ter câncer de mama por possuírem menos tecido mamário. O médico oncologista do HRSC esclarece que essa ideia não corresponde à realidade. “E é justamente por a mama masculina ser menor que qualquer nódulo costuma ser mais fácil de ser identificado”, pontua o especialista. Essa característica, na verdade, pode facilitar a autodetecção, se houver o devido conhecimento e atenção.

O caso de Edilson ilustra a importância de agir ao perceber algo incomum. Apesar da demora inicial, ele conseguiu reverter o quadro. No final de dezembro de 2025, o paciente concluiu seu tratamento antineoplásico, tocando o “sino da esperança” no HRSC, um símbolo de superação. “Hoje estou curado, primeiro graças a Deus, depois à minha família e depois à medicina”, conclui Edilson, com um desfecho feliz.

A história de Edilson e a orientação do Dr. Patrick Dhunor Vitorino reforçam a mensagem: o câncer de mama masculino, embora incomum, é uma realidade que exige vigilância. A informação e a busca precoce por atendimento médico são as ferramentas mais poderosas para combater a doença e garantir a saúde.

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