Alerta climático: El Niño ‘muito forte’ tem 81% de chance de ocorrer, aponta NOAA

A Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) emitiu um alerta significativo para o Brasil e o mundo: há 81% de chance de um El Niño “muito forte” se consolidar entre outubro e dezembro de 2026. O fenômeno climático, já em curso, promete intensificar seus efeitos até o final do ano, trazendo consigo uma série de desafios e mudanças nos padrões meteorológicos em diversas regiões brasileiras.

Este cenário eleva a preocupação com os impactos que um evento de tamanha magnitude pode gerar, desde inundações no Sul até secas severas e incêndios florestais no Norte e Nordeste do país. A previsão atualizada da NOAA aponta para um dos El Niños mais intensos já registrados, exigindo atenção e preparo das autoridades e da população.

Previsão de um El Niño de Intensidade Excepcional

A mais recente atualização da NOAA, divulgada em julho, reforça a probabilidade de um El Niño atingir o patamar de “muito forte”, com 81% de chance no último trimestre de 2026. Este percentual representa o pico das projeções da agência até o momento, indicando uma intensificação contínua do fenômeno que se estenderá até a primavera de 2027 no Hemisfério Norte, com 97% de probabilidade de persistência.

Desde 1950, apenas cinco episódios de El Niño alcançaram essa intensidade, sendo os mais recentes em 2015-2016 e 2023-2024. No Brasil, eventos passados dessa magnitude estiveram associados a desastres como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 e em Blumenau (SC) em 1983, demonstrando o potencial destrutivo do fenômeno. A NOAA, contudo, ressalta que mesmo eventos intensos não garantem impactos típicos em todas as regiões.

Acompanhamento e Classificação do Fenômeno Climático

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico equatorial, um componente do sistema El Niño–Oscilação Sul (ENOS). Este aquecimento interfere na circulação atmosférica global, alterando padrões de chuva e temperatura. A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) indica que esses eventos ocorrem a cada 2 a 7 anos e duram de 9 a 12 meses, contribuindo para o aquecimento médio do planeta.

A NOAA monitora o fenômeno através do Índice Relativo Oceânico Niño (RONI), que mede a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 do Pacífico. Para ser classificado como El Niño, o RONI deve atingir no mínimo +0,5°C, acompanhado de sinais atmosféricos. A agência categoriza a intensidade em:

  • El Niño fraco: de +0,5°C a menos de 1,0°C;
  • moderado: de +1,0°C a menos de 1,5°C;
  • forte: de +1,5°C a menos de 2,0°C;
  • muito forte: +2,0°C ou mais.

É nessa última categoria que se enquadram os episódios frequentemente chamados de “super” El Niño no debate público. Nesses cenários, os efeitos associados ao fenômeno, como alterações no regime de chuvas e aumento de temperaturas, tendem a ganhar intensidade, embora a NOAA afirme que o evento mais forte não garante, por si só, impactos extremos em todas as regiões.

Impactos Regionais do El Niño no Brasil

Uma nota técnica de abril de 2026, elaborada por instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), detalha como o El Niño afeta de maneira distinta as diversas regiões do Brasil. Enquanto o Sul enfrenta um cenário de chuvas intensas e inundações, o Norte e Nordeste se preparam para condições de seca e calor extremo.

No Norte, espera-se a redução do nível dos rios, menos chuvas na Amazônia, especialmente na porção leste, e um prolongamento da estação seca, elevando o risco de incêndios florestais. O Nordeste deverá lidar com estresse hídrico, chuvas abaixo da faixa normal e temperaturas mais elevadas, também propiciando incêndios. Já o Centro-Oeste pode ter queimadas e chuvas irregulares no norte da região, calor acima da média, mas com chuvas mais regulares em Mato Grosso do Sul e parte de Goiás, tornando-o menos impactado.

No Sudeste, o fenômeno pode trazer “veranicos”, estiagens localizadas e ondas de calor mais frequentes. A distribuição das chuvas será desigual, com possível aumento no centro-sul e diminuição no norte da região. Por fim, o Sul do país é o mais propenso a inundações e temporais, com chuvas acima da média e temperaturas mais altas, especialmente durante o inverno e a primavera.

Com 98% de chance de o El Niño ocorrer no segundo semestre de 2026, segundo a NOAA, a preparação e o monitoramento contínuo são cruciais para mitigar os riscos e proteger as comunidades. A compreensão dos impactos específicos em cada região permite a adoção de estratégias mais eficazes para enfrentar as adversidades climáticas.

Para mais notícias e atualizações sobre o El Niño e outros temas relevantes, acesse nosso site www.sobralonline.com.br e siga nossas redes sociais em @SobralOnline. Mantenha-se informado com o Sobral Online!