Potencial global travado: Economist analisa desafios fiscais e burocráticos do Brasil
As contas públicas brasileiras, que englobam União, estados, municípios e estatais, registraram um déficit de R$ 56,1 bilhões em maio de 2026. Este resultado representa um aumento significativo de 66,3% em comparação com o mesmo período de 2025, quando o saldo negativo foi de R$ 33,7 bilhões.
Para Ana Lankes, chefe da sucursal da renomada revista britânica The Economist no Brasil, o país possui um vasto potencial para se consolidar como um protagonista global. No entanto, a gravidade do descontrole fiscal e a complexidade de suas políticas públicas afastam essa meta ambiciosa.
Descontrole Fiscal: O Entrave ao Protagonismo Global
Lankes destaca que, embora o Brasil disponha de todas as matérias-primas essenciais para se tornar uma potência, ele é freado por políticas complexas e imprevisíveis. A Constituição brasileira, em particular, contribui para essa rigidez, ao determinar gastos obrigatórios que, segundo a especialista, reduzem a eficiência do Estado.
O engessamento do orçamento público sufoca a capacidade de investimentos em áreas estratégicas, como infraestrutura e desenvolvimento social. Entre os principais fatores de pressão estão as despesas com previdência e aposentadorias, que a jornalista classifica como parcialmente “injustas”.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 reforça esse diagnóstico, mostrando que a Previdência Social voltou a liderar os gastos obrigatórios da União, superando a marca de R$ 1,11 trilhão neste ano. “Esse déficit, as políticas imprevisíveis e o sistema tributário ultracomplexo são alguns dos problemas que identifico”, explica Lankes.
Reformas Estruturais: A Chave para o Avanço
Como caminho para reverter o cenário atual, Ana Lankes sugere a implementação de reformas estruturais profundas. Essas mudanças visam simplificar o sistema tributário e reduzir o peso da máquina estatal, que muitas vezes opera com ineficiência.
“Os gastos por vezes são ineficientes. Por isso, os cortes seriam importantes”, analisa a correspondente. A criação de espaço fiscal, segundo sua visão, é crucial para viabilizar aportes em setores carentes de recursos, especialmente a infraestrutura, algo que só será possível por meio de uma reforma tributária abrangente.
O diagnóstico da Economist também aponta para distorções na proteção a determinados setores empresariais, o que compromete a competitividade e a inovação nacional. “Falta dinamismo em diversos setores no país”, pontua Lankes, ressaltando a estagnação da produtividade.
A especialista observa ainda que o investimento em tecnologias avançadas, como o uso de Inteligência Artificial para aumento de produtividade, ainda não é uma questão amplamente discutida ou priorizada no debate econômico brasileiro.
Geopolítica e o Impacto das Tarifas Americanas
No cenário internacional, Lankes avalia os desdobramentos da guerra comercial liderada pelos Estados Unidos. Para ela, a estratégia tarifária da gestão de Donald Trump tem gerado um efeito contrário ao pretendido, aproximando o Brasil e seus vizinhos latino-americanos da China.
“O Donald Trump tem tornado os Estados Unidos em um país super imprevisível e errático”, afirma. Apesar da turbulência no cenário global, a analista elogia a postura diplomática e técnica do governo brasileiro frente ao “tarifaço” americano, classificando-a como “bastante técnica”.
Recentemente, o Brasil tornou-se alvo de investigações comerciais em Washington sob a Seção 301, com a recomendação de sobretaxas de até 37,5% sobre mais de 4 mil produtos industriais, conforme dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Após audiências públicas realizadas na última semana, o governo americano tem até esta quarta-feira (15) para definir a aplicação das sanções, mantendo o setor produtivo em compasso de espera. Para mais detalhes sobre este tema, clique aqui.
Você encontra mais notícias em nosso site www.sobralonline.com.br e redes sociais. Siga-nos em @SobralOnline para ficar por dentro de tudo!

