Robôs humanoides impulsionam futuro industrial no Sudeste Asiático
Executivos do setor de tecnologia e manufatura destacaram o potencial transformador dos robôs humanoides equipados com inteligência artificial para as indústrias de manufatura e logística na Associação dos Países do Sudeste Asiático (Asean). Durante o Nikkei Asia Forum Apac 2026, realizado na última quinta-feira, especialistas apontaram que a região reúne condições ideais para uma rápida adoção dessas tecnologias avançadas.
A convergência de fatores como a escassez de mão de obra qualificada e o aumento dos custos operacionais tem impulsionado a busca por soluções inovadoras. A integração de robôs humanoides surge como uma resposta estratégica para otimizar processos e garantir a competitividade das economias locais.
Automação industrial: resposta à escassez de mão de obra
A indústria manufatureira do Sudeste Asiático enfrenta um cenário desafiador, marcado pela falta de trabalhadores e pela elevação dos custos operacionais. Aimi Komatsu, diretora da Agibot Innovation (Shanghai) Technology, fabricante chinesa de robôs humanoides, enfatizou que essa realidade cria uma oportunidade sem precedentes para a automação.
Os robôs, segundo Komatsu, são capazes de mitigar a carência de mão de obra em economias com populações em envelhecimento, além de aprimorar a eficiência em tarefas repetitivas como triagem, movimentação e manuseio de materiais. Embora ainda em fase inicial, a perspectiva de que esses humanoides possam, no futuro, auxiliar no cuidado de idosos também foi mencionada, ampliando o leque de aplicações potenciais.
Pioneirismo chinês e a escala da inovação
A Agibot Innovation, fundada em 2023 por ex-executivos da Huawei Technologies, já demonstra a viabilidade e o impacto dos robôs humanoides em larga escala. A empresa alcançou a marca de 10 mil unidades fabricadas no início deste ano e registrou uma receita expressiva de 1,05 bilhão de yuans (equivalente a US$ 148 milhões) em 2025, com cerca de um terço proveniente de vendas internacionais.
A integração da inteligência artificial à base industrial da região promete não apenas reduzir a carga de tarefas repetitivas sobre os trabalhadores, mas também impulsionar avanços significativos na manutenção preditiva e preventiva das fábricas, conforme destacou Levi Nguyen, diretor-executivo das operações da FPT na Tailândia e em Taiwan. Além disso, a vasta disponibilidade de mão de obra na Asean é vista como um trunfo para a coleta de dados sobre a execução de tarefas, informações cruciais para o treinamento e aprimoramento dos robôs humanoides.
IA além da fábrica: educação e tradução
O impacto da inteligência artificial transcende o chão de fábrica, prometendo revolucionar outros setores essenciais. Wenchuan Liu, gerente-geral da fabricante chinesa iFlytek, especializada em tecnologias de reconhecimento de voz e dispositivos de tradução, apontou para o potencial da IA em áreas como a tradução e, notavelmente, a educação.
Liu questionou a possibilidade de criar aulas personalizadas para cada aluno, rompendo com o modelo de ensino padronizado. A capacidade de adaptar o conteúdo e a metodologia às necessidades individuais de cada criança pode representar uma verdadeira transformação na forma como o conhecimento é transmitido e absorvido, oferecendo uma educação mais eficaz e inclusiva.
Desafios e oportunidades: energia e requalificação profissional
Apesar do entusiasmo, os executivos também alertaram para os desafios inerentes à expansão da IA. A chamada IA física, que combina inteligência artificial com robôs capazes de interagir com o ambiente, ainda está em seus estágios iniciais. Komatsu ressaltou a necessidade de não apenas engenheiros altamente qualificados, mas também de profissionais aptos a implementar e operar essas soluções no dia a dia.
Levi Nguyen complementou, indicando que, além da modernização da formação universitária, as empresas devem investir na requalificação de seus colaboradores para prepará-los para a era da IA. Outro ponto crítico é a infraestrutura energética: a expansão dos centros de dados, essenciais para sustentar a IA, exigirá uma revisão da matriz energética da região. Nguyen, no entanto, vê uma vantagem para o Sudeste Asiático, que possui um extenso litoral e clima tropical, favoráveis à geração de energia eólica e solar. Komatsu finalizou, enfatizando que a eficiência energética será um fator determinante para o desenvolvimento sustentável das aplicações de inteligência artificial. Saiba mais sobre o futuro da tecnologia.
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