Restrições estaduais nos EUA cortam em 37% a compra de imóveis por chineses

O mercado imobiliário dos Estados Unidos registrou uma queda significativa na aquisição de propriedades por compradores chineses, um movimento impulsionado principalmente pela crescente promulgação de leis estaduais que impõem restrições a certos estrangeiros. Nos 12 meses encerrados em março de 2026, a presença chinesa no setor de imóveis usados nos EUA diminuiu drasticamente, refletindo um cenário de desafios regulatórios e econômicos.

Essa redução não apenas reconfigura a dinâmica do investimento estrangeiro, mas também destaca a complexidade das políticas locais e seu impacto direto nas transações internacionais. O declínio acentuado nas compras por parte dos chineses é um indicativo de como as barreiras legais e as condições de mercado estão moldando o futuro das aquisições imobiliárias no país.

Queda acentuada nas aquisições e o cenário geral do mercado

Dados recentes revelam que compradores chineses adquiriram 7.400 imóveis nos Estados Unidos no período analisado, representando uma queda de 37% em comparação com os 11.700 imóveis comprados no ano anterior, até março de 2025. Essa retração contribuiu para que o total de imóveis usados adquiridos por estrangeiros atingisse 67.100, o segundo menor nível registrado desde 2009, conforme pesquisa anual da Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR).

Anteriormente, os compradores da China detinham a maior participação nas compras internacionais, com 15%. No entanto, as mudanças regulatórias recentes os reposicionaram como o terceiro maior grupo, com 11%, atrás de Canadá e México. Em conjunto, compradores da Ásia ainda representam a maior fatia regional, com 33% das aquisições.

A diminuição do interesse estrangeiro ocorre em um período de fragilidade para o mercado imobiliário americano como um todo. As vendas de imóveis usados totalizaram 4,06 milhões no ano passado, marcando o nível anual mais baixo em três décadas. Esse cenário é agravado por altas taxas de juros de hipotecas e preços imobiliários em constante ascensão, dificultando o acesso à propriedade para muitos.

Legislação estadual: a barreira crescente para investidores

As políticas locais emergiram como um obstáculo significativo para os compradores chineses de imóveis EUA. Diversos estados americanos implementaram leis nos últimos anos que restringem a compra de casas ou terrenos por cidadãos chineses. Um exemplo notável é a Flórida, onde um processo judicial contestando tais restrições foi retirado após uma decisão que indicou que as proibições não se aplicavam aos demandantes.

No Texas, uma lei que entrou em vigor em setembro do ano passado proíbe a compra de imóveis por pessoas da China, com exceções para aqueles com vistos válidos que buscam residência principal. Uma corretora de imóveis do Texas relatou não ter atendido clientes chineses desde a implementação da lei, embora também tenha observado que as elevadas taxas de juros afastaram outros compradores estrangeiros.

Perfil dos compradores e os destinos preferidos

Apesar da queda no volume, os chineses continuaram a realizar as compras mais caras, totalizando US$ 7,6 bilhões em investimentos. O preço médio de compra por um imóvel foi de aproximadamente US$ 1 milhão, embora esse valor represente uma redução considerável em relação aos US$ 13,7 bilhões gastos no período anterior. A Califórnia permaneceu como o principal destino para esses compradores, seguida por Texas, Arizona e Nova York.

Curiosamente, o propósito da compra variava entre as nacionalidades. Enquanto a maioria dos compradores indianos, que representaram 9% dos estrangeiros e tiveram um aumento em sua participação, adquiriram imóveis para residência principal, os compradores chineses eram mais propensos a investir em propriedades para uso estudantil.

Desafios de acessibilidade e o impacto das políticas

Entre os estrangeiros que não concretizaram a compra de um imóvel, a dificuldade em encontrar uma propriedade adequada foi o motivo mais comum, seguido de perto pela questão da acessibilidade financeira. Matt Christopherson, diretor de pesquisa de negócios e consumo da NAR, destacou que a demanda estrangeira permanece contida, mesmo com uma leve desvalorização do dólar americano no último ano.

“Os estrangeiros também enfrentam a mesma dificuldade de disponibilidade e acessibilidade que os compradores nacionais”, afirmou Christopherson. Ele acrescentou que as mudanças nas políticas de imigração, como o endurecimento das regras para vistos H-1B pelo governo anterior, incluindo uma taxa de US$ 100 mil para novos solicitantes, também podem ter impactado as compras por estrangeiros. Para mais informações sobre o mercado imobiliário, consulte fontes confiáveis como a Associação Nacional de Corretores de Imóveis.

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