Interdição em Aquiraz: Decon fecha complexo turístico por falhas graves

Em uma ação contundente para garantir a segurança e os direitos dos consumidores, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), ligado ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), realizou a interdição de um renomado complexo turístico em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. A medida, tomada nesta sexta-feira, foi resultado de uma fiscalização minuciosa que revelou mais de 30 irregularidades, abrangendo desde falhas sanitárias e de segurança até problemas de acessibilidade e documentação.

O estabelecimento, que inclui um parque aquático e um restaurante de hotel, foi alvo da operação devido à gravidade dos problemas encontrados. A interdição visa proteger os frequentadores e garantir que os serviços oferecidos estejam em conformidade com as normas legais e de saúde pública, especialmente em um período de alta demanda turística.

Graves problemas na cozinha e segurança alimentar

A inspeção na cozinha do restaurante do complexo revelou um cenário preocupante para a saúde dos consumidores. Foram identificados produtos impróprios para consumo, o que representa um risco direto de contaminação e doenças. Além disso, a equipe de trabalhadores operava sem os equipamentos de proteção individual (EPIs) necessários, comprometendo tanto a segurança dos funcionários quanto a higiene no manuseio dos alimentos.

As falhas se estendiam à higienização inadequada das instalações e ao armazenamento incorreto dos alimentos, criando um ambiente propício para a proliferação de bactérias e outros agentes nocivos. A ausência de um controle de pragas eficaz completava o quadro de descaso com as boas práticas sanitárias, colocando em xeque a qualidade e a segurança dos pratos servidos aos hóspedes e visitantes.

Riscos no parque aquático e falta de estrutura

No setor de lazer, o parque aquático também apresentava deficiências alarmantes. A falta de guarda-vidas certificados é uma infração grave que coloca em risco a vida dos banhistas, especialmente crianças e pessoas com dificuldades na água. A manutenção precária dos brinquedos, por sua vez, eleva o perigo de acidentes, com estruturas desgastadas ou danificadas.

Adicionalmente, foram constatados riscos físicos em áreas com restos de obras, expondo os usuários a tropeços e quedas. Um toboágua, por exemplo, estava isolado de forma improvisada apenas por andaimes, evidenciando a negligência com a segurança e a falta de um plano de manutenção adequado para as instalações.

Documentação irregular e descumprimento legal

A fiscalização do Decon também apontou uma série de irregularidades administrativas e documentais que demonstram a operação do complexo fora dos padrões legais. O estabelecimento não possuía o alvará de funcionamento, documento essencial para a operação de qualquer negócio. A licença sanitária, fundamental para garantir a conformidade com as normas de higiene, também estava ausente.

Outras falhas incluíam a falta do certificado de conformidade do Corpo de Bombeiros, que atesta a segurança contra incêndios e pânico, e o cadastro regular no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur). A ausência do Código de Defesa do Consumidor em local visível e de um livro de reclamações impedia que os clientes exercessem plenamente seus direitos e registrassem suas insatisfações.

Medidas do Decon e o futuro do estabelecimento

Diante do extenso rol de irregularidades, o Decon agiu de forma decisiva. Foi determinada a inutilização imediata de todos os produtos impróprios para consumo encontrados na cozinha. As áreas do parque aquático, restaurante e cozinha foram interditadas, e só poderão retomar suas atividades após a completa regularização de todas as pendências e a obtenção de uma nova autorização do órgão fiscalizador.

A empresa responsável pelo complexo foi autuada e terá um prazo de 20 dias para apresentar sua defesa administrativa. Esta ação faz parte da “Operação Férias”, uma iniciativa do Decon para intensificar as fiscalizações em estabelecimentos de lazer e turismo durante períodos de maior fluxo de consumidores, garantindo que os direitos e a segurança dos cidadãos sejam respeitados.

Consumidores que identificarem irregularidades ou tiverem seus direitos desrespeitados podem formalizar denúncias e reclamações junto ao órgão. Os canais de atendimento do Decon/CE estão disponíveis para receber as demandas e atuar na proteção do consumidor. Você pode encontrar mais informações sobre as ações do Ministério Público do Estado do Ceará em mpce.mp.br.

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