Polícia Civil deflagra operação contra esquema de fraude em medidores de gás natural
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), deflagrou nesta terça-feira (11/8) a Operação Medida Certa. O objetivo é desarticular um complexo esquema criminoso especializado em fraudes contra a infraestrutura de distribuição de gás natural, com ramificações em quatro cidades.
A ação, que conta com o apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e de uma concessionária de gás, cumpre 12 mandados de busca e apreensão. Os alvos estão localizados na capital fluminense, em Nova Iguaçu e Belford Roxo, no estado do Rio de Janeiro, além de Congonhas, em Minas Gerais.
A Operação Medida Certa e o Combate à Fraude Gás
A mobilização policial visa desmantelar uma rede que operava de forma sofisticada, explorando vulnerabilidades no sistema de distribuição de gás. A operação é um passo crucial para coibir a fraude gás que afeta diretamente a concessionária e, indiretamente, a segurança e a economia do setor.
Os mandados de busca e apreensão são cumpridos em diversos endereços, buscando coletar provas e identificar todos os envolvidos na trama criminosa. A colaboração com a concessionária de gás é fundamental para o sucesso da investigação, que se aprofunda nos detalhes da manipulação dos equipamentos e na extensão dos danos causados.
A Complexidade da Estrutura Criminosa
As investigações da Polícia Civil revelaram que o grupo criminoso possuía uma estrutura altamente organizada e uma clara divisão de tarefas. A especialização dos envolvidos era um pilar central para a execução da fraude, permitindo intervenções de difícil detecção nos sistemas de medição.
Os criminosos detinham conhecimento técnico aprofundado em sistemas de medição, manutenção e operação de equipamentos de Gás Natural Veicular (GNV). Esse domínio era utilizado para desviar medidores da concessionária e realizar intervenções clandestinas, como a substituição de componentes internos, adulteração dos mecanismos de funcionamento e alteração das identificações. Os equipamentos eram então reinseridos irregularmente no mercado para uso em diversas atividades econômicas, gerando lucros ilícitos.
O Acesso Privilegiado e a Burlagem da Fiscalização
Um dos aspectos mais preocupantes da fraude era a participação de um integrante com acesso privilegiado às dependências da concessionária. Essa pessoa monitorava a movimentação dos equipamentos, fornecia informações estratégicas e facilitava a retirada dos medidores desviados da empresa.
Após a saída dos equipamentos da concessionária, outros membros do grupo assumiam as etapas de transporte, adulteração, comercialização e reutilização. Além disso, o acesso privilegiado era usado para repassar antecipadamente a proprietários e administradores de postos de combustíveis informações sobre datas, locais e equipes responsáveis por fiscalizações. Esse aviso prévio permitia que os estabelecimentos potencialmente envolvidos nas irregularidades adotassem medidas para ocultar evidências, interromper temporariamente práticas ilícitas e frustrar a atuação dos órgãos fiscalizadores.
Avanços da Investigação e os Crimes Envolvidos
A apuração teve um avanço significativo após a análise pericial de dispositivos eletrônicos apreendidos em uma fase anterior da investigação. A Polícia Civil também identificou empresas formalmente constituídas que atuam no segmento de instalação e manutenção de equipamentos de GNV.
Segundo as investigações, essas estruturas empresariais podem ter sido utilizadas para dar suporte técnico às intervenções nos equipamentos adulterados. A participação de cada pessoa física e jurídica ainda está sendo detalhada. Além do prejuízo patrimonial causado à concessionária, a DDSD investiga os possíveis impactos das adulterações na confiabilidade dos sistemas de medição e na segurança da infraestrutura de distribuição de gás natural, que é vital para diferentes setores da economia.
Os indivíduos e entidades envolvidos poderão responder por crimes como furto qualificado, receptação qualificada, associação criminosa, estelionato e outros delitos que possam ser identificados no decorrer do aprofundamento das investigações.
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