Barbalha completa 180 anos destacando patrimônio histórico e desafios de preservação
Barbalha completa 180 anos de emancipação política nesta segunda-feira (17) reafirmando uma identidade construída entre tradição, arquitetura histórica e cultura popular. Localizado na região do Cariri, o município ficou conhecido como a terra dos verdes canaviais devido à forte presença da produção de cana-de-açúcar ao longo de sua história. Emancipada em 17 de agosto de 1846, a cidade chega ao aniversário com um patrimônio que atravessa gerações, mas também com o desafio de preservar construções e referências que ajudam a contar a formação do município.
O centro histórico é um dos principais símbolos dessa memória. Casarões erguidos entre os séculos 18 e 19 ainda permanecem espalhados pela área central e ajudam a manter características de diferentes períodos da cidade. Entre os imóveis de destaque está o antigo Casarão Hotel, construído em 1859. O prédio já teve diferentes utilizações ao longo do tempo e atualmente abriga a Secretaria de Cultura. Outro exemplo é o Palácio 3 de Outubro, antiga Casa de Câmara e Cadeia, construído durante a Grande Seca de 1877 e hoje utilizado pela Escola de Saberes de Barbalha.
A religiosidade também ocupa espaço importante na história local. A Igreja Matriz de Santo Antônio está ligada às origens do núcleo urbano e começou a ser construída ainda no século 18. Todos os anos, o espaço se torna um dos principais pontos das celebrações da Festa de Santo Antônio, marcada pelo tradicional carregamento e levantamento do Pau da Bandeira. A manifestação cultural é reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como Patrimônio Cultural do Brasil e se tornou uma das referências de Barbalha dentro e fora do Ceará.
Outro templo que preserva parte da formação social e religiosa do município é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. A construção começou no século 19 e está ligada à organização da população negra em irmandades religiosas durante um período em que pessoas negras enfrentavam restrições de acesso a determinados espaços religiosos. O templo levou décadas para ser concluído e atualmente integra o conjunto arquitetônico que ajuda a contar diferentes etapas da história barbalhense.
Construções comerciais e residenciais também permanecem como testemunhas do desenvolvimento da cidade. A Casa Sampaio, fundada em 1847, teve papel de destaque no comércio local por muitos anos. O Solar Maria Olímpia, de 1885, mantém a característica de prédios que combinavam comércio no pavimento térreo e residência na parte superior. Já a Casa de Mãe Yayá, concluída em 1905, chama atenção pela arquitetura e por elementos preservados de sua estrutura original. O Palacete dos Alencar, cuja construção teve início em 1817, também continua fazendo parte da paisagem urbana da cidade.
Apesar do conjunto ainda existente, parte desse patrimônio foi perdida ou modificada ao longo das décadas. A expansão do comércio, alterações no uso dos imóveis e a ausência histórica de políticas mais rígidas de preservação contribuíram para a demolição ou descaracterização de antigas edificações. Dos mais de 40 casarões que já chegaram a receber algum tipo de proteção, cerca de 38 permanecem conservados, segundo informações da área de Turismo do município.
Nos últimos anos, iniciativas de requalificação passaram a ser realizadas no centro histórico. Entre as intervenções estão melhorias em calçadas, acessibilidade e recuperação de vias, enquanto alguns trechos preservam características originais, como o calçamento feito com pedras associadas à formação geológica da Chapada do Araripe. A administração municipal também mantém diálogo com o Iphan sobre um processo de tombamento do Centro Histórico de Barbalha.
Ao completar 180 anos, Barbalha tenta conciliar o crescimento urbano com a conservação de um patrimônio que ajuda a explicar a história do Cariri. A preservação dos casarões, igrejas, festas populares e demais referências culturais é apontada como uma oportunidade não apenas de manter viva a memória das gerações anteriores, mas também de fortalecer o turismo e transformar a própria história em um elemento de desenvolvimento econômico e cultural para o município.
Fonte: G1

