Docentes da Unb adiam greve e mantêm indicativo em negociação com o MGI
Os professores da Universidade de Brasília (UnB) decidiram, em assembleia realizada nesta terça-feira (18/8), não deflagrar uma greve imediata. A categoria, contudo, optou por manter o indicativo de paralisação, aprovado desde maio deste ano, como forma de pressão em suas reivindicações junto ao governo federal.
A decisão reflete a expectativa por uma nova rodada de negociações, agendada para esta quarta-feira (19/8), entre os representantes dos docentes e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). O diálogo permanece a via preferencial, mas a possibilidade de uma greve futura não está descartada, dependendo dos desdobramentos das conversas.
Decisão da categoria e expectativa por diálogo
A Associação dos Docentes da Universidade (ADUnB) informou que a deliberação sobre a efetiva deflagração da greve poderá ser pautada em uma assembleia posterior, caso as negociações com o MGI não avancem conforme o esperado. A postura da categoria demonstra um equilíbrio entre a disposição para o diálogo e a firmeza na defesa de seus direitos.
Apesar de reconhecerem que a última proposta apresentada pelo MGI, na sexta-feira (14/8), trouxe alguns avanços, os professores consideram que ela ainda está distante de atender plenamente às suas reivindicações. Este cenário mantém a tensão e a mobilização dentro da comunidade acadêmica da UnB.
O ponto central do impasse: a URP
O maior ponto de desentendimento entre os docentes e o MGI gira em torno da absorção da Unidade de Referência de Preços (URP). Este valor, que é repassado aos professores desde 1989, foi programado para ser absorvido dos salários em maio de 2026, gerando grande preocupação na categoria.
Os professores da UnB defendem o recebimento integral da URP para toda a categoria, além do reconhecimento de que promoções e progressões na carreira docente são acréscimos remuneratórios que qualificam e valorizam o trabalho, não devendo ser passíveis de absorção. A luta por essa pauta é central para a manutenção do indicativo de greve.
Detalhes das propostas do Ministério da Gestão
Na última sexta-feira (14/8), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos apresentou uma série de propostas para tentar chegar a um acordo com os docentes. Entre os pontos oferecidos pelo MGI, destacam-se:
- Absorção de 60% dos acréscimos remuneratórios sobre o valor da URP, percentual atualmente aplicado devido ao Termo de Providências Acauteladoras, documento que instaurou a mesa de negociação;
- Pagamento da URP para docentes que ingressaram na UnB até dezembro de 2025, com retroativo às respectivas datas de entrada;
- Não incidência da absorção nas promoções e progressões concedidas até 31 de março de 2026 que tiveram os efeitos financeiros efetivados em abril, com restituição dos valores absorvidos;
- Formalização de documento do MGI e da Advocacia-Geral da União (AGU), no Termo de Acordo, em relação aos descontos indevidos efetuados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na URP de aposentados, com o objetivo de reverter este processo.
A luta contínua dos docentes da UnB
Apesar das propostas apresentadas, a ADUnB mantém a posição de que a luta pelo recebimento da URP para toda a categoria e pelo reconhecimento da valorização da carreira docente é contínua. A associação ressalta que a busca é por um acordo que realmente contemple as demandas dos professores e garanta a estabilidade financeira e o reconhecimento profissional.
A decisão de manter o diálogo, mesmo com o indicativo de greve, sinaliza a complexidade das negociações e a importância de cada passo para a comunidade universitária. A próxima rodada de conversas será crucial para definir os próximos rumos do movimento dos docentes da UnB.
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