Gigante chinesa CNOOC se movimenta para acessar dados da Foz do Amazonas
O cenário energético brasileiro ganha novos contornos com a recente movimentação de grandes players internacionais. A empresa chinesa CNOOC Petroleum Brasil, uma das gigantes do setor de petróleo, solicitou formalmente ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) acesso integral a um processo administrativo crucial. Este pedido surge poucos dias após a Petrobras anunciar a identificação de hidrocarbonetos na promissora Bacia da Foz do Amazonas, reacendendo o debate sobre o potencial exploratório da região.
A iniciativa da companhia chinesa sublinha o crescente interesse global pela Margem Equatorial brasileira, uma nova fronteira exploratória que promete redefinir as reservas de petróleo e gás do país. A descoberta da Petrobras, embora ainda em fase de avaliação de viabilidade comercial, já provoca um efeito cascata no mercado, atraindo a atenção de empresas que buscam expandir sua presença em águas profundas.
CNOOC busca informações sobre a Foz do Amazonas
O pedido da CNOOC Petroleum Brasil foi apresentado nesta quarta-feira (19) por Yehua Huang, presidente da companhia no país. No requerimento enviado ao Ibama, ao qual a CNN teve acesso, a empresa solicitou “vista do documento/processo” e marcou a opção de cópia integral, buscando acesso completo ao processo 02001.035748/2025-13 no Sistema Eletrônico de Informações (SEI).
Este movimento estratégico da CNOOC ocorre em um momento de intensa expectativa no setor. A solicitação de acesso a informações detalhadas sobre o processo administrativo do Ibama demonstra um claro interesse em compreender a fundo o contexto regulatório e ambiental da região, um passo fundamental para futuras decisões de investimento.
A descoberta da Petrobras na Margem Equatorial
A movimentação da CNOOC é uma resposta direta ao anúncio da Petrobras, feito em 14 de agosto, sobre a identificação de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, localizado no bloco FZA-M-59. Este bloco faz parte da Bacia da Foz do Amazonas, inserida na estratégica Margem Equatorial brasileira.
O poço Morpho está situado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas ultraprofundas, com uma lâmina d’água de 2.886 metros. A Petrobras atua como operadora e detém 100% de participação no bloco, adquirido durante a 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013. A perfuração segue em andamento para coletar mais dados e determinar o real potencial econômico da descoberta, que ainda não tem viabilidade comercial confirmada.
Crescente interesse e projeções para a região
A descoberta da Petrobras adiciona um componente significativo para as empresas que avaliam o potencial da Foz do Amazonas, reforçando a tese geológica sobre a riqueza petrolífera da Margem Equatorial. A região é vista como uma das principais novas fronteiras exploratórias do Brasil, atraindo o olhar de diversas petroleiras.
Em junho, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) já havia aprovado a indicação de 86 blocos exploratórios adicionais na Margem Equatorial para estudos. Estes blocos, localizados nas bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão e Barreirinhas, são considerados para inclusão em futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão. A agência projeta investimentos de US$ 196 milhões em exploração nas bacias marítimas da Margem Equatorial em 2026, representando 22% do total previsto para o ano.
Expansão da CNOOC no Brasil
A busca por informações na Foz do Amazonas se alinha à estratégia de expansão da CNOOC no Brasil. A companhia chinesa já possui participação em grandes projetos de petróleo em águas profundas no país, como o campo de Mero, no pré-sal. Em junho deste ano, a CNOOC e a Sinopec assinaram um contrato de partilha para exploração e produção no bloco Ametista, arrematado no 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha.
A empresa também figura entre as companhias com inscrição ativa na Oferta Permanente de Concessão da ANP, ao lado de outras grandes do setor como BP, Chevron e CNODC. Este cenário demonstra um interesse consolidado da CNOOC em fortalecer sua atuação no mercado brasileiro, buscando novas oportunidades em áreas de alto potencial.
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