A temporada de ventos fortes no Ceará aumenta o risco de acidentes e prejuízos em diferentes regiões do estado. As rajadas podem ultrapassar 50 km/h e, segundo a previsão apresentada na reportagem, devem continuar nos próximos dias, principalmente em áreas do litoral e serranas, onde podem alcançar 60 km/h.
Ocorrências recentes mostram alguns dos efeitos provocados pelas rajadas. Na Parquelândia, em Fortaleza, uma árvore caiu sobre um carro. Na BR-116, no bairro Cajazeiras, uma placa atingiu uma motocicleta. Já em Maracanaú, uma estrutura de uma indústria desabou sobre dois funcionários.
Ventos fortes no Ceará podem provocar acidentes e prejuízos
As rajadas são recorrentes nos períodos da manhã e da tarde. Elas duram cerca de 20 segundos e são comuns durante o segundo semestre.
A meteorologia indica que o fenômeno deve continuar nos próximos dias. O litoral e as regiões serranas podem registrar rajadas de até 60 km/h, e a recomendação é de que as pessoas procurem abrigo durante os momentos de maior intensidade.
O meteorologista Bruno Rodrigues explica que a ocorrência está relacionada à atuação da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS), sistema que influencia as condições atmosféricas na região.
“O motivo é derivado de um sistema chamado alta subtropical do Atlântico Sul (ASAS). Esse sistema fica posicionado um pouco mais ao norte do Oceano Atlântico e faz com que os eventos fiquem mais intensos, principalmente na costa norte do Nordeste.”
Ele também indicou à TV Cidade Fortaleza qual é a projeção para os próximos dias:
“A previsão da Funceme é de que essas rajadas vão continuar.”
Quando danos causados pelo vento podem gerar indenização?
A ocorrência de um acidente durante uma rajada forte não significa, por si só, que haverá direito automático a uma indenização. A possibilidade de responsabilização depende das circunstâncias específicas de cada caso.
A advogada Renata Maia explica que é necessário analisar os elementos envolvidos na ocorrência e reunir provas que possam demonstrar o dano e as circunstâncias em que ele aconteceu.
“Necessário analisar cada caso concreto. Não é porque ocorreu um vento forte que automaticamente deverá existir a situação de responsabilizar. A responsabilidade civil no direito consiste em três elementos principais que a gente deve observar. Primeiro, a ocorrência do dano sofrido. Segundo, para recorrer à Justiça, é recomendável o recolhimento de provas e testemunhas do momento do acidente. É muito importante que no momento do acontecimento ela reúna testemunhas que viram a situação, bata fotos, vídeos, registre um boletim de ocorrência, para que tudo fique devidamente anotado, e aí sim ela possa ingressar na Justiça para reaver seus direitos.”
Diante de um acidente, a orientação apresentada é registrar o máximo possível de informações sobre o ocorrido. Entre as medidas citadas estão:
fotografar o local e os danos;
fazer vídeos da situação;
identificar possíveis testemunhas;
registrar um boletim de ocorrência;
preservar elementos que possam ajudar a esclarecer o que aconteceu.
A documentação pode ser utilizada posteriormente na análise de eventual pedido de reparação.
Ventos fortes também exigem cuidados com a saúde
O período de ventos fortes registrado no Ceará entre agosto e outubro também pode contribuir para o aumento de casos de síndromes respiratórias.
Os ventos não são apontados como responsáveis pelo surgimento dessas doenças, mas podem favorecer a dispersão de impurezas no ar e o ressecamento das vias respiratórias. Esses fatores podem agravar alergias e facilitar o aparecimento de sintomas gripais.
Para reduzir o risco de contaminação, são recomendados cuidados no cotidiano, como lavar as mãos com água e sabão, evitar tocar os olhos, o nariz e a boca com as mãos sujas e não compartilhar copos, pratos e talheres com pessoas que apresentem síndrome gripal.
Nos casos considerados leves, com sintomas como coceira no nariz, tosse e dor de garganta, a recomendação apresentada é procurar um posto de saúde ou uma unidade de atendimento para avaliação.
A médica Luciana Passos explica:
“Os quadros leves, que acometem mais a parte nasal, tosse, coisas mais simples, sem febre, sem queda do estado geral da pessoa, a gente recomenda ir no posto de saúde, que lá vão ser orientados quanto a isso”
Fonte:gcmais

