‘A camisa havaiana mais feia já vista no planeta’: designer cria roupa capaz de enganar câmeras com inteligência artificial
Ela parece ter saído de uma disputa para escolher a camisa havaiana mais feia já vista no planeta! Com cores fortes e um padrão quase hipnótico, a peça chama atenção pelo visual exagerado. Mas a estampa tem uma função única: dificultar que sistemas de inteligência artificial reconheçam uma pessoa em uma imagem.
A criação é do designer alemão Simon Weckert e faz parte do projeto Digital Camouflage (“Camuflagem Digital”, em tradução livre). O padrão foi desenvolvido para interferir na forma como algoritmos de visão computacional procuram características associadas a uma figura humana.
Como a camisa confunde a IA?
A estampa utiliza uma técnica conhecida como ataque adversarial, que consiste em alterar dados visuais de uma forma que pareça normal para uma pessoa, mas possa levar um sistema de inteligência artificial a interpretar a imagem de maneira diferente.
No caso da camisa, o padrão foi desenvolvido para interferir justamente nas características que os algoritmos procuram ao tentar identificar uma figura humana. O processo envolveu testes e ajustes sucessivos até chegar a uma estampa capaz de reduzir a detecção.
Em uma demonstração divulgada pelo designer, um sistema marca pessoas que passam diante da câmera, mas deixa de identificar como “pessoa” quem está usando a camisa. O teste foi feito com o YOLO, um sistema genérico e de código aberto para detecção de objetos.
A criação chama atenção em meio ao avanço de tecnologias capazes de identificar pessoas por imagens. Em 2024, a CNN Brasil mostrou acessórios que buscam driblar os algoritmos de reconhecimento facial. Entre eles estão peças com luzes de infravermelho que tentam interferir na leitura do rosto.
A camisa deixa a pessoa invisível?
Não exatamente. O projeto demonstra que uma estampa pode confundir determinados sistemas de visão computacional, mas não há garantia de que a peça funcione contra qualquer câmera ou tecnologia de vigilância.
O próprio Weckert ressalta que as demonstrações utilizam um sistema aberto de detecção e não fazem uma afirmação sobre sistemas governamentais específicos. O resultado pode variar de acordo com o algoritmo, as condições da imagem e a tecnologia utilizada.
Assim, o que parece apenas uma camisa havaiana exagerada funciona como uma provocação sobre os limites da inteligência artificial: uma estampa que é facilmente compreendida pelo olho humano pode, em determinadas situações, fazer uma máquina enxergar algo completamente diferente.
Fonte:CNN Brasil

