A perspicácia e a extrema sensibilidade de um menino de 10 anos evitaram o que poderia ter sido mais um trágico caso de violência doméstica. Percebendo o perigo iminente dentro de casa, o garoto agiu em silêncio e usou o WhatsApp para pedir socorro à Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Municipal. A ação corajosa do filho levou à prisão em flagrante do ex-companheiro da mãe, que descumpria uma medida protetiva em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Dicionáriose enciclopédias
PEDIDO SILENCIOSO
O caso aconteceu na noite da última terça-feira (25), no distrito de Tamoios. Passava das 22 horas quando a criança enviou apenas um ponto de interrogação ao telefone do grupamento. Ao ser questionado pelos agentes sobre o que estava acontecendo, o menino demonstrou enorme maturidade para não se expor ao agressor e respondeu: “não posso falar”, enviando também emojis de choro.
O menino estava trancado na residência com a mãe e o irmão mais novo, de apenas 6 anos. Logo em seguida, ele conseguiu enviar áudios curtos. Nas gravações, os guardas conseguiram ouvir a voz de um homem ao fundo, confirmando a situação de risco.
REAÇÃO DAS FORÇAS DE SEGURANÇA
A sensibilidade dos agentes em decifrar os sinais da criança foi fundamental. Como a família já era monitorada pela Patrulha Maria da Penha desde o final de 2024 — devido a um histórico de descumprimentos por parte do ex-companheiro, a equipe identificou a urgência imediatamente.
O Grupamento Operacional de Tamoios foi acionado e chegou primeiro ao endereço. A casa estava totalmente fechada e em silêncio. Os guardas insistiram nos chamados até que notaram uma movimentação e o homem apareceu na sacada, bastante alterado. Ele foi contido e preso em flagrante.
As crianças, que estavam extremamente agitadas com o clima de terror, acalmaram-se assim que os agentes assumiram o controle da situação.
PROTEÇÃO PARA MÃE E FILHO
A ocorrência foi encaminhada para a Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) de Cabo Frio. A delegada titular, Aline Vilas Boas, confirmou a prisão em flagrante do suspeito pelo crime de descumprimento de medida protetiva. O homem foi encaminhado para a audiência de custódia e o caso já está nas mãos da Justiça. Por lei, em situações de flagrante como esta, o agressor não tem direito à fiança estipulada na delegacia, dependendo exclusivamente de uma decisão do juiz.
Após os procedimentos policiais e o susto, a mãe e os dois filhos puderam retornar para casa em total segurança, protegidos pelo heroísmo silencioso de um menino que soube exatamente como agir para salvar sua família.
Fonte: Ceará Agora

