Menções de Vorcaro a Andrei Rodrigues acirram tensão no governo
As menções feitas por Daniel Vorcaro ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, estão acirando a tensão dentro do governo federal. A apuração é da analista de política Clarissa Oliveira, que detalhou os movimentos nos bastidores do governo nas últimas 24 horas para o Live CNN desta sexta-feira (4).
De acordo com Clarissa, há dois movimentos ocorrendo ao mesmo tempo dentro do governo. O primeiro é o esforço da cúpula mais próxima de Lula para proteger Andrei Rodrigues diante das acusações de Vorcaro, que afirma ter dado ao diretor-geral da PF uma série de benefícios, incluindo viagens, ingressos para a Fórmula 1 e encontros com familiares.
“Essa é a acusação que Daniel Vorcaro faz, e isso está reverberando muito nos bastidores do governo”, destacou a analista.
O segundo movimento é um acirramento das tensões internas na PF entre o grupo próximo a Andrei e outros órgãos do governo. “Estão sendo acusados de não terem intervindo contra a cooptação, como dizem os petistas, da PF por parte de André Mendonça”, explicou Clarissa.
Segundo a analista, há cobranças contra o Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União, que estariam sendo acusados de apatia diante da crise.
Nos bastidores, o grupo próximo a Jorge Messias reagiu às críticas, argumentando que não caberia à AGU controlar a situação. “Tem uma tensão interna muito forte que está aumentando o desgaste em torno da figura de Andrei Rodrigues”, disse Clarissa.
Crise que vai além do STF
A analista ressaltou que a crise não se restringe ao Supremo Tribunal Federal e que suas ramificações estão avançando para diversas esferas, inclusive dentro do governo.
Há também uma versão que questiona a credibilidade das declarações de Vorcaro, apontando que suas afirmações seriam um ato desesperado para conseguir uma delação premiada.
“Mas você tem a outra versão que diz: ‘olha, já existiam desgastes anteriores'”, ponderou Clarissa sobre os atritos na Polícia Federal.
Segundo Clarissa, a crise está contaminando também a corrida presidencial. As campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro já incorporaram o tema em suas comunicações públicas.
Do lado de Lula, o movimento é de se descolar de Alexandre de Moraes e defender a imagem do seu governo em relação ao combate à corrupção. Do lado de Flávio Bolsonaro (PL), a aposta é na retomada da narrativa de confronto com o STF, especialmente com Alexandre de Moraes.
Clarissa também destacou que o 7 de setembro, data que se tornou simbólica para o bolsonarismo, se aproxima e que há preocupação no campo petista com o impacto nas pesquisas de intenção de voto, diante de uma tendência de recuperação de Flávio Bolsonaro e da dificuldade de Lula em reconquistar popularidade.
Segundo Clarissa, a manifestação pública de Lula sobre o caso seguiu uma linha histórica já conhecida, semelhante à adotada em outras crises de corrupção que atingiram gestões petistas, como na época da Operação Lava Jato e do escândalo do Mensalão. “Lula sempre vem com essa premissa de que, no seu governo, a PF investiga”, afirmou a analista.
Fonte:CNN Brasil

