Estudo: Enxaguante com canabidiol pode controlar placa bacteriana dental
O canabidiol (CBD) em enxaguantes bucais pode ser uma alternativa à clorexidina no controle da placa bacteriana dental e uma aliada na prevenção de problemas bucais, conforme um estudo da FORP-USP (Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP).
A pesquisa mostrou que formulações com CBD tiveram eficácia semelhante à da clorexidina –– considerada padrão-ouro de ação antimicrobiana na odontologia––, e provocaram menos alterações na cor do esmalte.
Extraída da Cannabis sativa, o canabidiol é uma substância que apresenta propriedades potenciais anti-inflamatórias, anticonvulsivantes, ansiolíticas e neuroprotetoras.
A partir disso, a pesquisa buscou avaliar se o composto poderia ser utilizado em produtos de higiene bucal como alternativa ao uso prolongado da clorexidina.
O estudo foi conduzido pela pesquisadora e pós-graduanda Anna Luísa Araújo Pimenta, sob orientação da professora Fernanda de Carvalho Panzeri, e publicado na revista científica Clinical Oral Investigations.
Como foi o estudo
Os pesquisadores não aplicaram os enxaguantes diretamente nos dentes dos participantes. Foram utilizados fragmentos de esmalte bovino, que têm estrutura semelhante à do esmalte humano, presos a dispositivos removíveis colocados no céu da boca dos voluntários.
Os dentes bovinos foram cortados em pequenas partes e polidos para que todas as amostras tivessem uma superfície semelhante. Segundo a USP, ao todo, 13 participantes passaram por cinco etapas de sete dias.
Em cada fase, os dispositivos foram expostos a um dos seguintes tratamentos: placebo, clorexidina a 0,12% ou canabidiol nas concentrações de 0,01%, 0,05% e 0,1%.
Os autores analisaram a formação de biofilme, a resistência e a superfície do esmalte, além de alterações na coloração e presença de leveduras. De acordo com a pesquisa, o objetivo da imagem é comparar visualmente todos os grupos e mostrar a diferença de cor entre eles.
É possível observar, a partir do pressuposto, que o grupo da clorexidina ficou com uma coloração mais escura/amarelada do que os demais grupos.
Para simular uma exposição frequente ao açúcar, um dos lados do dispositivo recebeu uma solução de sacarose a 20% oito vezes ao dia. O outro lado serviu como comparação.
Canabidiol a 0,05% teve melhor resultado
Entre as concentrações testadas, o CBD a 0,05% apresentou o resultado mais equilibrado. A formulação controlou a formação de biofilme de forma semelhante à clorexidina, mantendo a resistência na superfície do esmalte e menor alteração na cor.
Segundo o estudo, o CBD a 0,1% também apresentou ação semelhante à clorexidina contra o biofilme, mas provocou um pequeno aumento na rugosidade do esmalte em uma das situações avaliadas. A concentração de 0,01%, por sua vez, teve efeito mais limitado.
A clorexidina foi a que mais alterou a cor do esmalte, deixando os fragmentos mais escuros e amarelados, enquanto as formulações com canabidiol apresentaram alterações menores.
Segundo Anna Luísa, as concentrações de 0,05% e 0,1% apresentaram potencial para substituir a clorexidina em determinadas situações clínicas.
A vantagem, de acordo com a autora, seria manter uma eficácia semelhante no controle do biofilme com menos efeitos adversos. “A principal vantagem é justamente evitar os efeitos adversos que a clorexidina apresenta com o uso prolongado, mantendo uma eficácia parecida no controle do biofilme”, afirmou.
A clorexidina pode causar manchas nos dentes e alterações no paladar quando utilizada por períodos prolongados, o que limita seu uso contínuo.
Próximos passos
Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o enxaguante com canabidiol ainda não está pronto para uso clínico e depende de novas investigações.
São necessários estudos com mais participantes, períodos de acompanhamento maiores e novas avaliações de segurança e eficácia.
Também será preciso investigar por quanto tempo o efeito do CBD permanece na boca após a aplicação. Caso os resultados sejam confirmados, o desenvolvimento de um produto comercial ainda dependerá de estudos de segurança de longo prazo e das etapas regulatórias, incluindo eventual registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Fonte:CNN Brasil

