Líder da oposição na Câmara acusa Dino de perseguir Frias com a PF

A cena política nacional foi agitada por fortes declarações do líder da Oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), que acusou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de utilizar os instrumentos do Estado para perseguir adversários políticos. A manifestação ocorreu após a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teve como alvo o deputado Mário Frias (PL-SP), com mandados de busca e apreensão autorizados pelo próprio ministro.

A operação, batizada de Make Up, foi conduzida pela PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e investiga suspeitas de irregularidades no uso de emendas parlamentares. Mário Frias, conhecido por sua atuação como produtor-executivo do filme Dark Horse, e a produtora Karina Gama estão entre os principais alvos das apurações, que prometem desdobramentos significativos no cenário político.

Detalhes da Operação Make Up e as Investigações

A investigação da Polícia Federal e da CGU concentra-se em uma série de crimes graves, incluindo peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. As autoridades suspeitam da existência de uma organização complexa, composta por agentes públicos e privados, que teria atuado para direcionar recursos de forma ilícita para empresas subcontratadas.

As apurações sobre o filme Dark Horse representam um desdobramento da Operação Compliance Zero, que já investigava o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Em maio, conversas de Vorcaro que mencionavam o financiamento do filme vieram à tona. Em áudios divulgados, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), então candidato à Presidência, aparece solicitando recursos ao ex-banqueiro para custear a produção cinematográfica. Essas mensagens foram o ponto de partida para pedidos de investigação encaminhados ao STF, ampliando o escopo da operação atual.

Oposição Questiona Atuação de Flávio Dino

Em nota oficial, o deputado Cabo Gilberto Silva questionou a justificativa para a medida contra Mário Frias, exigindo que o Congresso e a sociedade tenham acesso à resposta sobre qual teria sido o “fato novo” que motivou a operação. Ele enfatizou a distinção entre a função legítima do Estado e o que considera um desvio de poder.

“Investigação é dever do Estado. Perseguição política jamais poderá ser instrumento de Estado”, declarou o líder da oposição. Ele também mencionou a decisão de Flávio Dino pela reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da PF, sugerindo que tal medida deveria ser considerada na avaliação da operação e levantando dúvidas sobre os limites da atuação do ministro.

Cabo Gilberto Silva foi enfático ao afirmar que “Flávio Dino não recebeu da Constituição um poder sem limites. Ministro do Supremo também está submetido à Constituição, à lei e aos mecanismos de responsabilidade previstos pela República”, reforçando a necessidade de prestação de contas e respeito às prerrogativas institucionais.

Pedido de Impeachment e Apelo ao Senado

A bancada da oposição, por meio de seu líder, também cobrou uma manifestação urgente do Senado Federal sobre o pedido de impeachment contra Flávio Dino, protocolado anteriormente. Para Cabo Gilberto, o silêncio da Casa Legislativa diante de decisões do ministro que ele considera de “enorme impacto institucional” deixou de ser prudência e “está se transformando em abdicação”.

O deputado ressaltou que, caso existam provas contra Mário Frias, elas devem ser apresentadas e analisadas conforme o devido processo legal. Contudo, ele alertou que o uso de medidas excepcionais contra adversários políticos, especialmente em período eleitoral, pode configurar abuso de poder. “Mário Frias tem mandato popular. Seus eleitores também merecem respeito”, afirmou, defendendo a integridade do processo democrático.

Concluindo sua nota, Cabo Gilberto Silva reiterou que Flávio Dino “deve explicações”, que o Senado precisa exercer suas prerrogativas e que o Congresso Nacional deve defender sua independência. “Ninguém está acima da lei. Nem deputado. Nem presidente. Nem ministro do Supremo”, finalizou, em um claro recado sobre a importância da isonomia e do respeito à Constituição.

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