Polícia Federal mira financiamento de filme com Flávio, Eduardo Bolsonaro e Mario Frias

A Polícia Federal (PF) intensifica a apuração sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação mira a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do deputado federal Mario Frias (PL-SP) em possíveis irregularidades relacionadas aos aportes para a produção.

O caso ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (11.set.2026), com a derrubada do sigilo do inquérito 5070 pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. A decisão abre caminho para aprofundar as diligências e esclarecer a complexa estrutura financeira por trás do projeto cinematográfico.

Suspeitas de Lavagem de Dinheiro e Evasão de Divisas

A PF solicitou a abertura de uma investigação em separado para detalhar possíveis crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Segundo o inquérito, dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelaram uma estrutura financeira internacional que teria sido utilizada nos aportes para o filme.

Os investigadores buscam identificar a origem dos recursos e os beneficiários finais das remessas ao exterior. O contrato do filme previa um investimento de US$ 24 milhões, o equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época. A corporação já identificou US$ 12,3 milhões em remessas da empresa Entre Investimentos para o fundo norte-americano Havengate Development Fund LP, que possui ligações com Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Esses valores, conforme a PF, coincidem com as parcelas previstas no acordo de financiamento.

Flávio Bolsonaro e as Cobranças por Pagamentos

O senador Flávio Bolsonaro é apontado na investigação por manter contato direto com Daniel Vorcaro para tratar dos pagamentos do filme. Em 8 de setembro de 2025, um áudio enviado por Flávio a Vorcaro demonstrava preocupação com os aportes e com os compromissos da produção, incluindo os pagamentos ao ator Jim Caviezel e ao diretor Cyrus Nowrasteh.

A cobrança se repetiu em 22 de outubro do mesmo ano, quando o senador alertou que a produção estava “no limite”. Pouco antes da primeira prisão de Daniel Vorcaro, em 16 de novembro de 2025, Flávio tentou contato telefônico e enviou uma mensagem de apoio ao empresário: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Envolvimento de Eduardo Bolsonaro na Gestão de Recursos

Eduardo Bolsonaro também figura nas tratativas relacionadas à estrutura financeira utilizada nos Estados Unidos. Em março de 2025, Thiago Miranda, um aliado de Vorcaro, informou ao empresário que “Flavio B e Eduardo” planejavam uma reunião sobre “Dark Horse”.

Na sequência, uma captura de tela de uma conversa atribuída ao ex-deputado federal foi encaminhada, contendo orientações sobre a gestão dos recursos nos EUA. A Polícia Federal busca esclarecer o nível de envolvimento e as responsabilidades de cada um na movimentação desses valores.

Mario Frias como Idealizador do Projeto

O deputado federal Mario Frias é citado no inquérito em uma mensagem atribuída a Flávio Bolsonaro. Em 10 de dezembro de 2024, Thiago Miranda encaminhou a Daniel Vorcaro uma comunicação na qual Flávio informava que Frias participaria de uma reunião, sendo o idealizador do projeto “Dark Horse”. A menção sugere um papel central de Frias na concepção e desenvolvimento inicial da produção cinematográfica.

Aprofundamento Investigativo da Polícia Federal

A Polícia Federal ressaltou no inquérito a necessidade de um aprofundamento investigativo para esclarecer pontos cruciais. Entre eles, a corporação busca determinar a origem exata dos recursos destinados ao financiamento do filme, a razão pela qual a Entre Investimentos foi utilizada como intermediária dos pagamentos, a função desempenhada pelo fundo Havengate Development Fund LP e, por fim, quem são os beneficiários finais dos valores remetidos ao exterior.

O Poder360, veículo que divulgou a informação, tentou contato com Eduardo Bolsonaro, a assessoria de imprensa de Mario Frias e Flávio Bolsonaro, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. Você pode ler mais sobre a derrubada do sigilo de procedimentos relacionados ao caso Master aqui.

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