Cid fala de racha com Ciro e diz que deseja reaproximação como irmãos: ‘Ele não quer’
O senador Cid Gomes (PSB), candidato à reeleição, detalhou o rompimento com o irmão e candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), iniciada em 2022 e ainda com desdobramentos para as eleições de 2026, com a família Ferreira Gomes em lados opostos — Lúcio e Ivo Gomes ao lado de Cid, e Lia Gomes com Cid.
Durante a sabatina PontoPoder, nesta segunda-feira (14), Cid relembrou o estopim do racha em 2022 e a “humilhação” durante a crise no PDT, falou sobre o último encontro que teve com o irmão, em 2025, e reforçou o desejo de voltar a ter uma relação com Ciro.
Segundo ele, a reaproximação não é desejada por Ciro. “Eu gostaria muito que a gente pudesse deixar de lado a questão política e a gente se relacionar enquanto irmãos, enquanto é familiares. Já manifestei isso várias vezes e ele disse que não quer”, cita.
ENCONTRO TENSO
Ele disse que mantém o respeito por Ciro e relembrou que o último encontro com o irmão, em março de 2025, foi tenso. “Ele me agrediu, me chamou de traidor. Eu disse para ele: ‘Olha, eu aceito você me chamar de traidor, porque eu lhe respeito. Qualquer outra pessoa que me chamar de traidor, eu meto-lhe o tapa na cara'”.
Cid detalhou ainda o que disse ao irmão nessa última vez em que se encontraram. “Eu disse para ele ‘homem, bota um sorriso no rosto. Tu está um cara odiento, tu está um cara que vive com raiva do mundo. Bota um sorriso no rosto, inspira as pessoas, anima as pessoas”, relembrou, dizendo que na época defendeu a candidatura de Ciro à presidência da República.
‘EU ME ANULEI PARA NÃO BRIGAR COM CIRO’
Os irmãos Cid e Ciro estão rompidos desde a pré-campanha das eleições de 2022, quando Cid defendia a candidatura a reeleição da então governador Izolda Cela (PSB), enquanto Ciro queria que o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, fosse o candidato do PDT.
O senador disse que, naquele ano, Ciro considerou uma “interferência” o fato de o PT defender que Izolda fosse a candidata ao Governo do Ceará, o que não teve a concordância de Cid. “Eu não consigo fazer assim: ‘faça o que eu digo, não faço o que eu faço'”.
“Oito anos antes (de 2022), eu tinha escolhido, dentro do PT, o Camilo (Santana como) candidato a governador. Isso é interferência partidária? Claro que não. (Éramos) aliados, eu era um eleitor importante, o governador, e estava dando a eles do PT uma oportunidade de ter um candidato. Então, não era razoável que que eu tivesse uma escolha entre os nomes deles? Eu acho razoável. Como achei razoável como que fizessem isso, preferindo a Izolda”, argumentou.
Cid relembrou que chegou a conversar com o então candidato a presidente Lula (PT) para alinhar o apoio dele à candidatura do PDT, reforçando a força eleitoral que o petista tinha no Ceará.
Ele disse que, na época, houve um forte atrito entre os dois irmãos. “Eu não vou dar detalhes aqui, mas todo tipo de agressão a mim pessoalmente ele fez”, afirmou.
“Em nome do respeito, em nome da consideração que eu continuo tendo, eu não mudo porque a pessoa está do meu lado ou está contra mim. (…) Eu me anulei, eu mergulhei, eu me enfronhei embaixo de uma fronha de uma cama, passei os dois meses mais difíceis da minha vida para não brigar com o Ciro”. Cid Gomes-Senador e candidato a reeleição
Ele disse que havia previsto que Roberto Cláudio (União), hoje candidato a vice-governador de Ciro, iria ficar em terceiro lugar na disputa pelo Governo do Ceará em 2022. “Acabou a eleição, eles passaram a me colocar como responsável, começaram a me chamar de traidor”, relembra.
Cid cita inclusive o racha no PDT, que acabou resultando na saída dele do partido. “Resolveram me destruir, me expulsaram do partido. Eu fui a uma reunião no Rio de Janeiro, no PDT, foi uma humilhação o que fizeram comigo”, completou.
ÚLTIMO ENCONTRO COM O IRMÃO
Durante a sabatina, Cid afirmou que se encontrou pela última vez com Ciro em março de 2025. Poucos meses antes, segundo Cid, ele havia ensaiado um rompimento com o Governo Elmano de Freitas (PT) e, por isso, indagou ao irmão “qual o projeto” para o Ceará.
“Ele disse: Roberto Cláudio candidato a governador. Eu disse: ‘estou fora, eu não vou’. O Roberto Cláudio deixou de ser uma opção para mim. O Ciro pode fazer o que que quiser comigo. O Roberto Cláudio, não. Eu devo muita coisa ao Ciro. O Roberto Cláudio, ele é que me deve”, reforçou.
Indagado sobre quem está do lado certo, agora que os dois irmãos estão em chapas adversárias no Ceará, Cid afirmou: “Eu estou do mesmo lado, que eu considero o lado certo. Ele mudou de lado, foi se juntar a bolsonaristas e a lideranças que sempre foram raivosos, odientos em relação às nossas gestões aqui no estado de Ceará”.
Fonte:Diário do Nordeste

