Lançados ao mar em 1978, pneus preenchidos com concreto transformaram-se em um próspero habitat para peixes, lagostas e diversas outras espécies marinhas
Na década de 1970, entidades de preservação da natureza começaram a jogar toneladas de estruturas de pneus e concreto em diversas praias dos Estados Unidos. De forma planejada e sistemática, elas acreditavam estar criando habitats para a vida marinha, além de despoluir espaços em terra firme.
A ideia baseada em saberes indígenas e truques de pescador deu certo em alguns casos. Em outros, desencadeou desastres ambientais que ainda não foram totalmente solucionados.
O descarte de lixo nos oceanos é prática ancestral dos seres humanos. Mais do que uma forma descuidada de livrar-se de dejetos, povos das Américas às Filipinas atiraram lixo no mar como forma de impedir invasores ou atrair peixes para a pesca.
A partir dos anos 1840, pescadores dos Estados Unidos já descartavam madeira e redes para concentrar e capturar animais marinhos. Mais de um século depois, a ideia foi reciclada como estratégia para melhorar as condições de habitats subaquáticos, especialmente em pontos sem recifes naturais para abrigar a fauna.
Mas, olhando para trás, muitos pesquisadores temem que os projetos tenham escondido uma intenção real de defender a poluição do mar.
O fracasso do recife de Osborne
No início dos anos 1970, uma empresa pediu autorização ao governo do condado de Osborne, na Flórida, para despejar cones de concreto no mar e criar recifes artificiais.
Anos depois, a mesma equipe propôs expandir o projeto usando pneus de carro impróprios para uso. A iniciativa agradou não só ao governo, mas também a engenheiros militares e produtores de pneus.
A Broward Artificial Inc. então despejou mais de dois milhões destes objetos no mar, presos apenas por hastes finas de aço. O resultado: os pneus se desprenderam e espalharam-se por mais de 15 hectares de solo marinho, levados pela correnteza e indo parar em praias distantes nos Estados Unidos.
Em 2007, equipes do Exército americano começaram a remover os pneus, que continuavam viajando pelo oceano, liberando resíduos tóxicos e não servindo de abrigo para peixe algum. Até novembro de 2019, dois terços da quantidade original ainda estavam no mar.
O sucesso duradouro do recife artificial de Yarmouth
Se a Flórida virou exemplo do que não fazer para ajudar a vida marinha, Massachusetts criou uma das maiores histórias de sucesso da intervenção humana nos habitats oceânicos.
A costa da cidade de Yarmouth recebeu estruturas de concreto e pneus em 1978 com o intuito de criar recifes artificiais, e até hoje mais materiais são despejados propositalmente para expandir o projeto.
Já são mais de 17 mil toneladas de objetos posicionados por equipes da Guarda Costeira dos Estados Unidos, o governo de Massachusetts e o Departamento de Recursos Naturais de Yarmouth.
A interação da vida marinha com os recifes é monitorada periodicamente por mergulhadores com câmeras, e mais de 18 espécies — de lagostas a tubarões —foram flagradas vivendo ao redor das estruturas.
Fonte:CNN Brasil

